
O advogado Raphael Brito Smith da Silva, que representa Fernandinho Beira-Mar e familiares do traficante em ações judiciais, é investigado em ao menos dois casos no Rio de Janeiro após denúncias de clientes que afirmam ter pago por serviços jurídicos não realizados.
Em uma das ocorrências, um músico relatou à Polícia Civil ter entregue pelo menos R$ 11 mil ao advogado para regularizar o pagamento da pensão alimentícia da filha. Ele acreditava que o dinheiro seguia para uma conta judicial, mas descobriu que a mãe da criança não recebia a pensão havia três meses.
O homem procurou a polícia depois de ser cobrado pela falta dos pagamentos e registrou o boletim de ocorrência para demonstrar que acreditava cumprir a obrigação alimentar. A 34ª DP, em Bangu, apura o caso como apropriação indébita e realiza diligências sob acompanhamento do Ministério Público.
Em outra denúncia, uma mulher afirmou ter pago mais de R$ 4 mil em honorários e custas para uma ação contra uma imobiliária. Ela disse que Raphael informou que o processo estava com a juíza, mas a ação nunca chegou a ser protocolada.

Inquérito apontou estelionato e patrocínio infiel
A cliente também disse que o advogado ficou com a chave de seu apartamento. A imobiliária alegou que ela deixou de devolver o objeto por meses, e a mulher afirma que a chave continua com Raphael, que a bloqueou no WhatsApp após ela questionar a inexistência da ação.
A 52ª DP, em Nova Iguaçu, concluiu em julho de 2025 o inquérito sobre esse episódio e indiciou o advogado por estelionato e patrocínio infiel. O Ministério Público pediu novas diligências, e a Polícia Civil informou que reenviou o procedimento ao órgão após cumprir as medidas solicitadas.
Raphael mantém inscrição regular na OAB-RJ e atua na defesa de Beira-Mar em um processo no Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Ele também representa a mulher e a filha do traficante em uma ação no Tribunal Regional Federal da 1ª Região. A OAB-RJ instaurou processo ético-disciplinar para apurar a conduta do profissional.
Em agosto de 2023, a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática indiciou Raphael por estelionato e tráfico de influência. A investigação apontou suspeita de que ele abordava pessoas investigadas em uma operação policial, cobrava R$ 10 mil para verificar a situação dos alvos e oferecia uma suposta solução para inquéritos por R$ 250 mil.
Policiais cumpriram mandados de busca e apreensão no escritório dele, na Barra da Tijuca, e recolheram documentos e computadores.