
O advogado Matheus Mayer Milanez, que atuou na defesa do general Augusto Heleno no Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou sua filiação ao Republicanos para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Distrito Federal. O ingresso no partido foi divulgado na quarta-feira (1º) pelo presidente regional, Joaquim Mauro.
Em publicação nas redes sociais, o dirigente afirmou: “Hoje, recebemos a filiação do advogado criminalista Matheus Milanez, pré-candidato a deputado federal, que chega para somar com preparo, compromisso e seriedade na construção de um projeto político sólido para o DF!”. A pré-candidatura deve ser formalizada nos próximos dias.
Ele ganhou projeção nacional durante o julgamento da chamada trama golpista no STF, em 2025, quando integrou a equipe de defesa de Heleno. Na ocasião, protagonizou um caso com o ministro Alexandre de Moraes ao solicitar o adiamento de uma sessão para jantar.
Ao negar o pedido, Moraes respondeu: “Vamos ver se nós terminamos amanhã, aí o senhor tem quarta-feira para tomar um belo brunch”. No dia seguinte, ao conceder a palavra ao advogado, o ministro afirmou: “doutor, o horário do almoço ainda está longe”. Ele retrucou: “fique tranquilo, que a exemplo de Vossa Excelência eu tomei um brunch reforçado”.

Durante o julgamento, o advogado sustentou a inocência de Augusto Heleno e criticou a atuação do relator. Segundo ele, o magistrado teria assumido papel mais ativo que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, responsável pela denúncia.
Em outra manifestação no STF, ele utilizou a expressão “terraplanismo argumentativo” ao questionar a construção das provas. Ele afirmou: “[…] O objetivo é provar que a terra é plana e eles vão fazendo inúmeros estudos para se provar isso. Está sendo assim no presente caso, por isso falamos em terraplanismo argumentativo”.
O advogado também chamou atenção ao usar termos como “toró de parpite” ao comentar elementos apresentados pela acusação. As falas ocorreram durante sessões que analisavam reuniões ministeriais apontadas como indícios de articulação para contestar o resultado das eleições de 2022.
Augusto Heleno foi condenado a 21 anos de prisão por golpe de Estado e cumpre prisão domiciliar desde dezembro, após decisão do STF baseada em laudo médico. A defesa atuou no caso ao longo das fases do processo, incluindo a análise de provas como anotações apreendidas pela Polícia Federal.
Com atuação ativa nas redes sociais, Milanez se apresenta como professor, mestrando em Direito pela UnB e presidente da Comissão de Direito Militar da OAB-DF. Em uma publicação, afirmou: “Um lembrete diário de que estou aqui para defender histórias, acreditar naqueles que ninguém mais acredita”.