Advogado de Lulinha acusa PF de perseguição e ‘delírio persecutório’

Atualizado em 21 de março de 2026 às 15:07
O advogado Marco Aurelio de Carvalho, do grupo Prerrogativas, durante um jantar com juristas em São Paulo

O advogado Marco Aurélio Carvalho, defensor de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, fez duras críticas ao trabalho da Polícia Federal (PF), que investiga o envolvimento do empresário em fraudes no INSS. Carvalho, ligado ao grupo Prerrogativas e aliado político do PT, chamou a investigação de “delírio persecutório” e afirmou que a PF está criando indícios de ilícitos inexistentes, colocando em risco a credibilidade da corporação.

O advogado questionou o vazamento de informações sobre o caso, classificando-o como um ato criminoso. Ele enfatizou a confiança na liderança da Polícia Federal, mas afirmou que membros da corporação não estão cumprindo seu papel com a mesma responsabilidade e independência que foram restabelecidas pelo governo de Lula. Para Carvalho, a atual investigação remete aos erros cometidos durante a Lava Jato, quando houve uma politização das apurações.

Carvalho também fez uma comparação entre a gestão de Lula e a de Jair Bolsonaro, destacando que, durante o governo do ex-presidente, houve tentativas de interferência direta na PF. No entanto, o advogado considera que, embora não haja interferência do atual governo, ainda existem membros da PF que não estão cumprindo seu papel de forma republicana. Ele afirmou confiar no diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e acredita que ele tomará medidas enérgicas contra aqueles que estão prejudicando a imagem da instituição.

A defesa de Lulinha refutou as acusações de que ele teria recebido qualquer valor do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. O advogado afirmou que não há registros de repasses, diretos ou indiretos, e acusou a PF de tentar estabelecer uma narrativa baseada em “linhas criativas” e “exageradas”. Carvalho criticou o fato de que a investigação tem se concentrado em tentar condenar Lulinha sem provas concretas.

Fabio Luis Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”

Lulinha é investigado por supostas transações financeiras ilícitas envolvendo Careca do INSS e a empresária Roberta Luchsinger, amiga em comum do lobista. A PF investiga repasses financeiros que teriam sido feitos a Lulinha por meio de Luchsinger, mas a defesa refuta essas alegações e sustenta que as quebras de sigilo bancário comprovariam a ausência de qualquer transação ilegal.

A movimentação financeira nas contas de Lulinha também foi questionada. O valor registrado, cerca de R$ 19,5 milhões ao longo de quatro anos, foi defendido pela defesa como sendo resultado de heranças e empréstimos realizados por Lula durante seu período de prisão. Carvalho afirmou que o Coaf não separa entradas e saídas de forma adequada, o que pode ter causado distorções nos números.

Sobre a viagem de Lulinha a Portugal em 2024, que gerou suspeitas devido ao envolvimento de Careca do INSS, Carvalho reiterou que a visita estava relacionada a um projeto de canabidiol e não a atividades ilícitas. O advogado disse que Lulinha não tinha conhecimento das operações fraudulentas de Careca e que o objetivo da viagem era apenas visitar a fazenda do lobista, devido a um caso de epilepsia em sua família.

A defesa de Luchsinger, por sua vez, também questionou o vazamento de informações sobre o caso, argumentando que as transferências de sua empresa para uma agência de viagens não configuram lavagem de dinheiro, como sugerido pela PF. A defesa afirma que as movimentações ocorreram antes de um contrato formal ser firmado entre a empresa de Careca e a de Luchsinger.