Advogado do suspeito de mandar matar Marielle foi nomeado por Pazuello assessor do Ministério da Saúde. Por Caique Lima

Cristiano Girão, condenado por chefiar milícia, e Marielle, assistente de Freixo à época em que presidia a CPI das Milícias

Nesta segunda (17), o SBT revelou que Cristiano Girão Matias é um dos suspeitos de mandar matar Marielle.

Ele é ex-vereador pelo Rio e perdeu o mandato após ser condenado a 14 anos de prisão por comandar uma milícia.

Hoje está em liberdade condicional após cumprir pena.

Seu advogado foi Zoser Plata Bondim Hardman de Araújo, atualmente Assessor Especial do Ministério da Saúde.

Nomeação de Zoser Plata para o cargo de Assessor Especial

Ele é advogado criminalista e defendeu, além do ex-vereador, Samanta Girão e Roselaine Girão, sua mulher e sua irmã.

Entre os clientes de Zoser ainda há o “Batman”, ex-PM Ricardo Teixeira Cruz, condenado por comandar uma milícia, e o tenente Daniel Benitez, condenado a 36 anos pelo assassinato da juíza Patrícia Acioli que combatia milícias no Rio.

Além disso, Zoser é filiado ao PRTB, partido de Mourão, desde 2003:

Filiação de Zoser ao PRTB

Suspeita contra Cristiano Girão:

Freixo, enquanto deputado estadual, presidiu a CPI das Milícias na qual Girão foi indiciado. À época, Marielle era sua assessora.

Segundo o documento obtido pelo SBT, o assassinato de Marielle seria uma vingança pelo resultado da comissão.

O alvo inicial seria Freixo.

Girão nega conhecer Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle, mas o elo entre os dois é apontado pela polícia em um assassinato mais antigo: o ex-vereador teria mandado o miliciano assassinar um casal em 2014.

Girão teve a liberdade condicional concedida pela Justiça em 2015, mas Ronnie não chegou a ser formalmente acusado.

No dia em que Marielle foi assassinada, Girão passou 10 horas em uma churrascaria na Barra da Tijuca, o que foi apontado pela polícia como um fato para ser usado como álibi. O marido da ex-mulher de Girão também foi assassinado neste dia.

Uma semana antes, ele havia visitado a Câmara Municipal do Rio.

Marielle Franco

Marielle e Anderson Gomes foram assassinados em 14 de março de 2018 no Rio de Janeiro.

No dia do atentado seu carro foi seguido pelos milicianos e, segundo imagens, dois criminosos esperaram a vereadora por cerca de duas horas.

Os dois principais suspeitos, Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, estão presos. Eles serão levados a júri popular.

Mais de 2 anos depois do assassinato e diversas ameaças da federalização do caso, a polícia sinaliza que a investigação pode logo ter um fim.

Marielle completaria 41 anos em 2020.