
A rejeição da proposta de colaboração premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, provocou mudanças na rotina de visitas ao ex-banqueiro na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. Além da saída de José Luís de Oliveira Lima, o Juca, da defesa, os horários e a quantidade de pessoas autorizadas a falar com Vorcaro foram reduzidos.
Segundo o Globo, a lista anterior reunia 14 advogados com procuração do ex-banqueiro. As visitas não eram irregulares, mas investigadores afirmam que o movimento na cela estava “descontrolado”, com presença de profissionais sem ligação direta com a negociação da delação premiada.
A autorização para o acesso amplo havia sido dada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso, para permitir que Vorcaro preparasse a proposta de colaboração. Na prática, porém, parte dos advogados que visitavam o ex-banqueiro atuava em outras frentes e tinha proximidade com lideranças do Centrão e da esquerda.
“Não é que fosse ilegal, mas era muita gente todo dia que não tinha nada a ver com a delação, e não se sabia exatamente de que causas estavam cuidando, o que estava fazendo ali”, afirmou um investigador.
Entre os nomes que constavam na lista estava Engels Augusto Muniz, sócio do ex-chefe da Casa Civil do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB), Gustavo Rocha. Muniz informou atuar em nome de Vorcaro em questões cíveis.

A banca de Muniz, junto com o escritório de Ibaneis, fechou contrato para venda de honorários de precatórios avaliados em R$ 38 milhões a um fundo ligado à Reag, gestora investigada pela PF por suspeita de integrar o esquema de desvio de recursos do Master. À época, o escritório do ex-governador afirmou que os honorários foram vendidos com deságio e que as bancas receberam R$ 10,3 milhões.
Também visitou Vorcaro o advogado Ciro Soares, ligado ao senador Otto Alencar (PSD-BA). Ele disse representar o dono do Master em processos cíveis e já foi citado em reportagens sobre o uso de jatos de uma empresa de Vorcaro por políticos.
Outro nome era Marcos Meira, ligado ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e amigo de José Dirceu. Ele afirmou defender Vorcaro em “questões de direito administrativo, societário, patrimonial e no contencioso estratégico”.
Com a redução, a nova lista terá cinco nomes. Permanecem Muniz, Marcelo Squassoni, Bruno Burili, Giuseppe Giamundo e Sergio Leonardo, que vai liderar uma nova tentativa de acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.
Vorcaro também conseguiu autorização de Mendonça para voltar à cela de Estado-Maior onde antes estava Jair Bolsonaro, após reclamar das condições das celas comuns da custódia da PF. Mesmo assim, seguirá submetido às regras dos demais presos: visitas comuns por meia hora, duas vezes por semana, e atendimento de advogados por até duas horas por dia, com limite de dois profissionais por vez.