Aécio é um traste imprestável até como inimigo: o alvo agora deve ser Bolsonaro. Por Moisés Mendes

Aécio

A Polícia Federal indiciou Aécio por superfaturamento e desvios de verbas de obras feitas entre 2007 e 2010. São fraudes de mais de R$ 700 milhões da construção da Cidade Administrativa, a sede do governo.

É muito tempo para apurar crimes de mais de uma década atrás, quando o tucano era governador.

É como se estivessem indiciando só agora os envolvidos em rolos na construção da Muralha da China.

Nem sei direito qual é o meu sentimento ao saber que finalmente podem pegar Aécio. Acho que sinto asco, nojo, tristeza, mas daqui a pouco não sinto nada.

Pegar Aécio agora? Que peguem, mas isso não me emociona, até porque ninguém me leva a acreditar que possam mesmo condená-lo.

Hoje, eu trocaria Aécio pelos Bolsonaros. O que sentia em relação a Aécio foi transferido para os Bolsonaros e multiplicado por 10.

Desejo muito, como mais da metade dos brasileiros, que um dia
peguem os Bolsonaros, não só pelos crimes envolvendo dinheiro, mas pela índole da família, pela capacidade de ser cruel e indiferente à dor dos outros, pela adoração da tortura, pela torcida pela peste, pela chinelagem.

Podem pegar Aécio, Serra, Fernando Henrique, Alckmin, todos os tucanos corruptos que sempre ficaram impunes, porque isso pra mim já não significa mais nada.

Dizem que Aécio pode ser condenado a mais de 40 anos de cadeia. Não acredito. Não pega num um ano. Se seu caso cair no Supremo de novo, nas mãos da ministra Cármen Lúcia, ele pode escapar, com um voto que nem ela saberá traduzir direito, como aconteceu da outra vez, mesmo que ninguém mais se lembre o que estava em julgamento.

Os tucanos não têm mais nenhuma serventia, nem como inimigos. Os últimos sobreviventes, como o gestor gaúcho, são aves raras consumidas pelo dilema de não saber mais se são tucanos ou bolsonaristas, ou algo híbrido com a mescla das duas coisas.

Uma figura como Aécio, que não aceitou a derrota de 2014 e puxou o golpe, já não consegue me mobilizar para torcer por sua desgraça.
Não há energia suficiente para torcer contra os Bolsonaros e contra
os tucanos impunes ao mesmo tempo.

Peguem Aécio, se quiserem pegar, porque não acredito em mais nada. Não me diz respeito, não me alegra, não me consola, não mexe com nada dos meus sentimentos.

Quero que peguem os Bolsonaros, suas milícias, seus cúmplices, todos os bandidos que circulam ao redor da família e os que se beneficiam do governo aliado da pandemia. Não precisa mais pegar Aécio.

Ontem, o presidente do Tribunal Superior de Justiça, João Otávio de Noronha, antecipou sua posição e disse que Bolsonaro não precisa entregar os laudos dos exames do coronavírus, porque aconteceu “lá atrás”. Nem interessa mais saber se deu positivo ou negativo, disse o magistrado.

Pelo que se conclui que, se aconteceu lá atrás, se Bolsonaro pode ter ludibriado o povo como infectado mas há mais de um mês, nem interessa saber. É um juiz garantindo que um possível delito tão antigo, com um mês de antiguidade, não importa mais.

Eu também acho que devem dizer o mesmo dos crimes de Aécio, que aconteceram não há um mês, mas há mais de 10 anos.

Peguem os Bolsonaros. Peguem todos eles, com seus crimes bem frescos, antes que a família, o Queiroz e os milicianos também fiquem velhos ou seus parceiros sejam executados como executaram Adriano da Nóbrega.

Deixem Aécio com seus crimes antigos. Meus sentimentos em relação ao chefe da quadrilha dos tucanos bacanas estão prescritos.

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