Afinal, a caixa-preta no Bndes é agora e com amigo de Guedes. Por Fernando Brito

BNDES

Publicado originalmente no Tijolaço:

Por Fernando Brito

Reportagem do Estadão mostra quem finalmente, apareceu uma “caixa preta” no Banco Nacional de Desenvolvimento.

Mas não é a que ansiosamente Bolsonaro dizia haver, dos tempos dos governos anteriores, e cobrava que fosse exibida, o que acabou levando à demissão de Joaquim Levy e à nomeação do amigo dos filhos presidenciais, Gustavo Montezano, ex-funcionário do onipresente BTG Pactual das origens de Paulo Guedes.

É que Marcelo Serfaty, presidente do Conselho de Administração do banco – e que já foi do Pactual nos tempos de Guedes e é ex-sócio do atual ministro na empresa Fidúcia – é sócio de uma empresa escolhida pelo Bndes para conduzir a privatização de várias empresas.

O Estadão mostra, com documentos, que Sefardy só formalizou sua saída do quadro diretor da empresa após tomar posse no Conselho de Administração e continua a ter vínculos proprietários com o grupo.

Quando ingressou no BNDES, Serfaty tinha ciência de que a empresa disputava os pregões da Casa da Moeda e da Infraero, uma vez que ele ainda constava como sócio no momento em que os processos foram iniciados. Segundo a Junta Comercial de São Paulo, ele só deixou a G5 Partners sete dias após tomar posse no BNDES, em 20 de novembro.
No anúncio do pregão dos aeroportos, Serfaty integrava também o quadro acionário de uma segunda empresa do grupo G5 Partners, a G5 Tecnologia de Segurança e Participações. Ele deixou essa sociedade em 10 de janeiro deste ano. Atualmente, ele tem 50% da G5 Gestora de Recursos. De acordo com documentos oficiais, a firma é administrada pela G5 Partners, a empresa que venceu as licitações do BNDES.

Mas a proximidade seguiu total: em fevereiro deste ano, Sefarti foi um dos participantes do evento “Brasil 2022 – O Redesenho do Papel do Estado”, em São Paulo, com a presença do Secretário Especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, Salim Mattar. Evento promovido, claro, pela G5 Partners. Estavam em casa…

Além disso, Sefardy parece ter um calcanhar de Aquiles parecido com o daquele ex-futuro-ministro da Educação: no currículo que apresentou para assumir o cargo consta um doutorado na Fundação Getúlio Vargas, que ele não tem.

Palmas para Bolsonaro, que tanto queria uma caixa-preta de suspeitas no Banco e, afinal, conseguiu uma, protagonizada por um amigo de Paulo Guedes.

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