Agência rompe com hotéis ligados a familiares de adolescentes que mataram Orelha

Atualizado em 28 de janeiro de 2026 às 16:14
O cão Orelha. Foto: Reprodução

A agência ERS Viagens e Turismo anunciou o cancelamento da venda de hospedagens em hotéis ligados a familiares de adolescentes investigados pela morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis. A decisão foi comunicada após a repercussão do caso e envolve o Majestic Palace Hotel Florianópolis, a Rede Mar Canavieiras e o Al Mare Florianópolis.

Em nota oficial, a agência afirmou: “Diante do ocorrido com o cachorro Orelha, a ERS Viagens informa que não irá mais comercializar hospedagens no Majestic Palace Hotel Florianópolis, Rede Mar Canavieiras e Al Mare Florianópolis. Não compactuamos com qualquer tipo de ação que vá contra nossos valores de respeito, ética e cuidado com a vida. Seguimos comprometidos em indicar parceiros alinhados com esses princípios”.

A empresa ainda disse que “preza pelo respeito, pela ética e pelo cuidado com todos — pessoas e animais” e que está “sempre atenta às condutas dos nossos parceiros”. Por isso, afirmou que possui “o compromisso de indicar apenas estabelecimentos que estejam alinhados com os princípios que defendem”.

Nota da ERS Viagens e Turismo. Foto: Reprodução

O Majestic Palace Hotel Florianópolis é associado ao pai de um dos adolescentes apontados como envolvidos no crime. Desde a divulgação do caso, internautas passaram a organizar campanhas de boicote ao estabelecimento, que passou a receber avaliações negativas e reclamações em plataformas públicas de consumidores, como o Reclame Aqui.

Já a Rede Mar Canavieiras e o Al Mare Florianópolis pertencem à mesma rede hoteleira, cujos proprietários também foram apontados como familiares de adolescentes investigados. Denúncias indicam que adultos ligados aos suspeitos teriam tentado coagir o vigilante responsável por denunciar a agressão inicial contra o animal.

O Majestic Palace Hotel Florianópolis. Foto: Divulgação

O cão Orelha vivia havia cerca de 10 anos na Praia Brava, em Florianópolis. O animal era conhecido por moradores e comerciantes da região e foi encontrado gravemente ferido, com lesões na cabeça, olho saltado e intenso sangramento, após ter sido espancado.

Devido à gravidade dos ferimentos, Orelha precisou ser submetido à eutanásia. A investigação aponta que quatro adolescentes participaram das agressões e que, no mesmo dia, eles teriam tentado afogar outro cão comunitário, chamado Caramelo.

A Polícia Civil de Santa Catarina instaurou inquérito, cumpriu mandados de busca e apreensão e indiciou três adultos (dois pais e um tio de um dos adolescentes) por coação de testemunha. Segundo a apuração, o objetivo teria sido intimidar o vigilante que denunciou o crime, em meio à tentativa de acobertamento do caso.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.