
A agência ERS Viagens e Turismo anunciou o cancelamento da venda de hospedagens em hotéis ligados a familiares de adolescentes investigados pela morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis. A decisão foi comunicada após a repercussão do caso e envolve o Majestic Palace Hotel Florianópolis, a Rede Mar Canavieiras e o Al Mare Florianópolis.
Em nota oficial, a agência afirmou: “Diante do ocorrido com o cachorro Orelha, a ERS Viagens informa que não irá mais comercializar hospedagens no Majestic Palace Hotel Florianópolis, Rede Mar Canavieiras e Al Mare Florianópolis. Não compactuamos com qualquer tipo de ação que vá contra nossos valores de respeito, ética e cuidado com a vida. Seguimos comprometidos em indicar parceiros alinhados com esses princípios”.
A empresa ainda disse que “preza pelo respeito, pela ética e pelo cuidado com todos — pessoas e animais” e que está “sempre atenta às condutas dos nossos parceiros”. Por isso, afirmou que possui “o compromisso de indicar apenas estabelecimentos que estejam alinhados com os princípios que defendem”.

O Majestic Palace Hotel Florianópolis é associado ao pai de um dos adolescentes apontados como envolvidos no crime. Desde a divulgação do caso, internautas passaram a organizar campanhas de boicote ao estabelecimento, que passou a receber avaliações negativas e reclamações em plataformas públicas de consumidores, como o Reclame Aqui.
Já a Rede Mar Canavieiras e o Al Mare Florianópolis pertencem à mesma rede hoteleira, cujos proprietários também foram apontados como familiares de adolescentes investigados. Denúncias indicam que adultos ligados aos suspeitos teriam tentado coagir o vigilante responsável por denunciar a agressão inicial contra o animal.

O cão Orelha vivia havia cerca de 10 anos na Praia Brava, em Florianópolis. O animal era conhecido por moradores e comerciantes da região e foi encontrado gravemente ferido, com lesões na cabeça, olho saltado e intenso sangramento, após ter sido espancado.
Devido à gravidade dos ferimentos, Orelha precisou ser submetido à eutanásia. A investigação aponta que quatro adolescentes participaram das agressões e que, no mesmo dia, eles teriam tentado afogar outro cão comunitário, chamado Caramelo.
A Polícia Civil de Santa Catarina instaurou inquérito, cumpriu mandados de busca e apreensão e indiciou três adultos (dois pais e um tio de um dos adolescentes) por coação de testemunha. Segundo a apuração, o objetivo teria sido intimidar o vigilante que denunciou o crime, em meio à tentativa de acobertamento do caso.