
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) antecipou o retorno ao Brasil após uma viagem internacional iniciada na semana passada, planejada inicialmente para durar cerca de três semanas. O giro pelo exterior foi apresentado como parte da articulação de sua pré-candidatura à Presidência, em um momento em que aliados ainda avaliam sua viabilidade dentro do campo da direita.
Segundo a coluna de Lauro Jardim no jornal O Globo, a agenda oficial da viagem previa encontros com lideranças conservadoras fora do país, mas acabou se concentrando em compromissos em Israel. Flávio desembarca no Brasil no fim de semana, encurtando o roteiro originalmente desenhado para fortalecer seu nome no cenário internacional.
Em Israel, o senador foi recebido pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O encontro ocorreu durante um jantar de gala, após atividades do segundo dia da Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo, realizada em Jerusalém, com a presença de autoridades israelenses e convidados estrangeiros.

Desde o dia 19 de dezembro no país, Flávio participou de compromissos oficiais ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro, que estava nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. A agenda incluiu visitas ao Muro das Lamentações e o batismo no Rio Jordão, locais também visitados anteriormente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro antes de sua eleição.
Israel foi o terceiro destino internacional do senador em tentativas recentes de projeção externa. No início do ano, ele esteve nos Estados Unidos buscando um encontro com o secretário de Estado Marco Rubio e sinalizar proximidade com a Casa Branca e o presidente Donald Trump. A viagem terminou sem a reunião, resultando apenas em um encontro com o deputado republicano Jim Jordan.
Em novembro do ano passado, Flávio também viajou a El Salvador, ao lado de Eduardo, com o objetivo de se reunir com o presidente Nayib Bukele. O encontro não ocorreu e o senador acabou se reunindo apenas com o ministro da Justiça e Segurança Pública do país, Héctor Gustavo Villatoro Funes, encerrando mais uma agenda internacional sem a confirmação do compromisso principal.
O retorno antecipado reforçou a pobreza da agenda internacional de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), concentrada quase exclusivamente em Israel e marcada por encontros simbólicos. Fora o jantar com Benjamin Netanyahu, o senador não conseguiu ampliar interlocuções relevantes e repetiu um padrão recente de viagens esvaziadas. Nos Estados Unidos, tentou sem sucesso uma reunião com o vice-presidente norte-americano e acabou restrito a um encontro secundário no Congresso. Antes disso, em El Salvador, também não foi recebido por Nayib Bukele, encerrando mais uma tentativa de projeção externa sem os compromissos centrais anunciados.