
Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) detiveram um estudante dentro de um alojamento da Universidade Columbia, em Nova York, na manhã desta quinta-feira (26). A informação foi confirmada pela presidente interina da instituição, Claire Shipman, que relatou que a abordagem ocorreu por volta das 6h30.
Segundo comunicado oficial, os agentes teriam apresentado informações falsas para acessar a residência estudantil. Alegaram procurar uma pessoa desaparecida. “Até o momento, entendemos que os agentes federais forneceram informações falsas para obter acesso ao prédio e procurar uma pessoa desaparecida”, disse Shipman.
Ela acrescentou que, para entrar em áreas não públicas da universidade, é necessário mandado judicial ou intimação. A governadora de Nova York, Kathy Hochul, criticou a conduta do ICE em publicação na rede X.
“Para que fique claro o que aconteceu: agentes do ICE não tinham o mandado judicial adequado e, por isso, mentiram para obter acesso à residência particular de um estudante. Eu propus um projeto de lei que proibiria o ICE de entrar em locais sensíveis, como escolas e dormitórios. Vamos aprová-lo agora”.
Let’s be clear about what happened: ICE agents didn't have the proper warrant, so they lied to gain access to a student’s private residence.
I’ve proposed a bill that would ban ICE from entering sensitive locations like schools and dorms. Let’s get it passed now. https://t.co/oeUykQ8iWl
— Governor Kathy Hochul (@GovKathyHochul) February 26, 2026
Procurado pela Reuters, o Departamento de Segurança Interna, responsável pelo ICE, não comentou as acusações até a última atualização. O episódio reacende o debate sobre a atuação de agentes federais em ambientes universitários.
A Columbia já havia enfrentado tensão envolvendo políticas migratórias do presidente Donald Trump. Após protestos pró-Palestina no campus, estudantes chegaram a ser detidos, entre eles o líder Mahmoud Khalil.
A atuação do ICE também enfrenta questionamentos públicos. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta quinta indica que a maioria dos americanos apoia a deportação de imigrantes em situação irregular, mas desaprova táticas consideradas linha-dura.
Paralelamente, a agência ampliou contratações e enfrenta desafios internos. Um e-mail obtido pela Reuters aponta preocupação com o “grande volume de novas contratações” e atrasos em verificações de antecedentes, determinando que eventuais denúncias sejam encaminhadas à Unidade Interna de Investigações de Integridade.
“Caso um escritório de campo receba informações depreciativas sobre a conduta de um funcionário recém-contratado antes de ingressar na ERO (por exemplo, demissão ou pedido de demissão em vez de demissão de outra agência policial por má conduta), encaminhe o assunto à IIU”, diz o comunicado.
O Departamento de Segurança Interna informou em janeiro que contratou 12 mil novos agentes para se somar aos 10 mil já existentes. No Congresso, há impasse sobre regras de atuação de agentes de imigração, com democratas defendendo limites mais claros e republicanos argumentando que restrições podem colocar os agentes em risco.