Aglomeração de milhares de torcedores na final da Eurocopa suscita temor de quarta onda da Covid no Reino Unido

Torcedores comemoram vitória da equipe da Inglaterra sobre a Dinamarca, pela semifinal da Eurocopa, no estádio de Wembley, em 7 de julho de 2021. AFP – JUSTIN TALLIS

Publicado originalmente em RFI 

Itália e Inglaterra se enfrentam na noite deste domingo (11) pela final da Eurocopa, sob o temor que aglomerações de torcedores resultem em uma quarta onda de Covid-19 no Reino Unido, especialmente com a forte circulação da variante Delta. Mais de 60 mil espectadores são esperados no estádio de Wembley, perto de Londres, na partida que encerra a competição.

Os dois times entram em campo às 20h de Londres (16h de Brasília), um dia considerado histórico para a equipe inglesa de futebol, que não conseguia chegar à final de um torneio desde 1966.

Com o relaxamento de boa parte das medidas anticovid no Reino Unido, o estádio de Wembley poderá acolher 75% do público habitual. Na tarde deste domingo, centenas de torcedores já se acumulavam ao redor do local, bebendo e festejando, horas antes do início da partida.

“As pessoas estão preocupadas porque há muitos torcedores sem máscara”, afirmou Yvette Reinfor, professora que mora nos arredores do estádio. “É preocupante, mas, ao mesmo tempo, tem um bom clima de felicidade”, reiterou.

No centro de Londres, em Trafalgar Square, uma “fan-zone” acolhe cerca de 1.500 pessoas neste domingo. Os organizadores do concurso que selecionou os frequentadores deste espaço garantem que as regras básicas de proteção contra a Covid-19 deverão ser respeitadas no local.

Não é particularmente a presença de milhares de pessoas no estádio que preocupa os especialistas, mas as aglomerações, sobretudo dentro de bares e pubs do Reino Unido. Apenas na semana passada cerca de 30 mil novos casos de Covid-19 foram registrados pelas autoridades britânicas.

“É possível, até mesmo provável, que regiões pouco afetadas pela epidemia no Reino Unido sejam assoladas quando esses torcedores voltarem de Londres [para outras cidades]”, prevê Antoine Flahault, diretor do Instituto de Saúde Global da Universidade de Genebra. “Com a variante Delta se propagando pelo continente europeu, parece difícil barrá-la de tanto que é transmissível”, reiterou.

Delta na Europa

Originária da Índia, a variante Delta, altamente contagiosa, se propaga rapidamente pela Europa, levando vários países a frearem o relaxamento das medidas anticovid. No Reino Unido, que se prepara para a flexibilização de todas as restrições no próximo 19 de julho, o primeiro-ministro Boris Johnson já assinalou que pretende manter os planos.

O governo de Malta anunciou na sexta-feira (9) que não aceitará a entrada de viajantes não vacinados contra a Covid-19. O país é o primeiro da União Europeia (UE) a anunciar a medida para tentar barrar a propagação da variante Delta.

A região da Catalunha, no nordeste da Espanha, restabeleceu algumas restrições sanitárias no sábado (10), como o fechamento de discotecas e locais de diversão noturnos. Desde ontem também é necessário apresentar um teste negativo à Covid-19 ou estar vacinado para participar de eventos ao ar livre com mais de 500 pessoas.

“A situação epidemiológica na Catalunha é extremamente complicada”, explicou a porta-voz do governo catalão, Patricia Plaja, na última terça-feira (6). Segundo ela, a quantidade de casos na região aumenta em ritmo exponencial, sobretudo entre os jovens.

Na Holanda, o primeiro-ministro Mark Rutte anunciou novas medidas na sexta-feira, como o fechamento de discotecas. Bares e restaurantes deixam de funcionar entre meia-noite e 6h da manhã.

Na França, apesar de a Delta representar quase 50% das novas contaminações, as discotecas reabriram na sexta-feira, mas apenas para quem possui o passaporte sanitário. O governo francês cogita tornar a vacinação obrigatória aos profissionais de saúde e novos anúncios são esperados na segunda-feira (12), quando o presidente Emmanuel Macron fará um pronunciamento.

Já as Forças Armadas da Letônia afirmaram na sexta-feira que todos os militares na ativa serão vacinados até o próximo mês de agosto. Quem não estiver de acordo com a decisão corre o risco de perder o emprego.

A Rússia, que enfrenta uma forte onda da variante Delta, anunciou um novo recorde neste sábado: 752 óbitos em 24 horas. No mesmo período, 25.082 novos casos foram registrados no país, dos quais 5.694 na capital Moscou.