
Malu Gaspar informa no Globo: os servidores públicos que acessaram e vazaram informações da Receita venderam a declaração de Imposto de Renda da advogada Viviane Barci de Moraes para terceiros por R$ 250.
O vazamento dos dados de familiares dos ministros do Supremo foi realizado por dois funcionários terceirizados de uma agência da Receita Federal no Rio. Eles operavam um esquema de venda de lugar na fila de atendimentos e de informações cadastrais de correntistas.
Eram dois homens fazendo chinelagem barata. Malu Gaspar informa: em depoimento dado à própria Receita, um vigilante terceirizado e um atendente cedido pelo Serpro, que atuavam na agência de Laranjeiras, Zona Sul do Rio, admitiram ter vendido as informações.
A Polícia não sabe quem comprou os dados vazados da mulher de Moraes e de um advogado filho de Luiz Fux. E aí alguém pode se perguntar: mas a própria Malu Gaspar não teria sido beneficiada por esses vazamentos?
Como a jornalista dá a notícia sobre informações que poderiam ter favorecido suas intrigas sobre a mulher de Moraes? Pois é. Vamos com calma. Primeiro, é difícil acreditar que uma jornalista da Globo pague por informações obtidas de forma criminosa.
Podem não gostar da Globo, podem achar o comportamento de Malu Gaspar estranho, por causa da sua obsessão em atingir Moraes, mas daí a concluir que paga por informações, como andaram especulando nas redes sociais e até em artigos na imprensa alternativa, é outra história.
O que se sabe, por elementar, como diria Sherlock, é que Malu Gaspar é abastecida por alguém ou por alguns inimigos de Moraes. Não seriam os amigos do ministro, ou mesmo pessoas “neutras”, que iriam passar a Malu dados da suposta relação de Viviane Barci de Moraes com o Master.
Mas quem informa Malu? É um direito dela não dizer. E é natural e razoável que metade do Brasil queira saber. Malu age dentro do que é ética e legalmente permitido, desde que não seja municiada por gente que atenda a encomendas feitas por ela.

E quem comprou por uma merreca as informações dos dois chinelões, quando se esperava que os dados por eles acessados valessem bem mais? É outra pergunta ainda sem resposta, porque os dois dizem não saber.
Sabiam que vendiam, mas não sabiam para quem? Pode, meu caro Watson? A PF sabe que há como descobrir, mesmo que o comprador usasse um intermediário.
Quem são os intermediários dos interessados nos dados da mulher de Moraes e que certamente pertencem ao fascismo que persegue o ministro?
Será mais fácil descobrir o comprador dos dados vendidos pelos dois pilantras do que o informante ou os informantes de Malu Gaspar.
E tem mais essa: como um vigilante e um servidor subalterno conseguiram acessar dados da Receita? Quem os habilitou a chegar às informações? Ou qualquer um pode fazer o que eles fizeram?
Perguntas, perguntas, perguntas. Só não espalhem, porque fica feio, que uma jornalista pode comprar alguém para que forneça informações de interesse do bolsonarismo.
Claro que Malu Gaspar é usada em um esquema fascista de fragilização de Moraes e do Supremo. Ela pode dizer que é jornalista e não escolhe fornecedores de informações de interesse público.
Mas o que divulga favorece não só a família golpista e a extrema-direita, mas também muita gente da velha direita com interesses contrariados por decisões do STF.
Mas dizer que a jornalista compra informações é demais. Vamos deixar esse tipo de suposição para a extrema-direita.