“Ainda não consegui digerir porque sei que ele não era uma pessoa ruim”, diz professora de sequestrador

Willian Augusto da Silva

A jornalista Amanda Prado entrevistou a professora de Willian Augusto da Silva, o sequestrador do ônibus no Rio, morto pela polícia na última terça-feira (20). 

A conversa foi publicada no Facebook da jornalista:

Conversei com uma professora do Willian, o sequestrador do ônibus na ponte Rio-Niterói. Parecia a voz calejada de uma das minhas professoras num bairro pobre de Teresina, profundamente abalada e triste pelos rumos que tomou o menino calado e arredio. “Como somos impotentes”, dizia. Dentre todas as coisas que ela contou, destaco o sentimento por trás da frase “ele era uma pessoa que gritava por ajuda”, desde a adolescência numa escola pública de São Gonçalo, região metropolitana do Rio.

“Tô de coração partido. É muito doloroso perceber o quanto nós, professores, detectamos desde cedo alguns problemas mas podemos fazer tão pouco. Ele era muito introvertido, não gostava de ir pro recreio, ficava sempre dentro da sala”

20 anos tinha Willian no momento em que curvou o corpo colado à porta do ônibus, atingido por uma sequência de disparos violentos de todo tipo. Mataram um homem várias vezes na avenida, renegado desde o princípio por cada aplauso, cada eco de discurso, cada estilhaço de palavra que comemora com gritos de euforia o horror.

“Ainda não consegui digerir. Porque eu sei que ele não era uma pessoa ruim. Infelizmente o que aconteceu poderia ter sido evitado se ele tivesse recebido toda a ajuda que o ser humano precisa pra encontrar o equilíbrio e aguentar as pressões da vida”, finalizou a professora, num desses dias em que o peso do mundo inteiro desaba nas minhas costas suadas de jornalista.

(Jornalista essa que, sinceramente, nunca vai compactuar com a alegria que nasce em meio ao caos do som de tiros, ao cheiro de sangue, ao circo montado na esteira da dor)

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