“Desequilibrado”: ex-presidente da Argentina detona Milei por ataque a Lula

Atualizado em 29 de julho de 2026 às 9:44
Alberto Fernández e Lula. Foto: reprodução

O ex-presidente argentino Alberto Fernández afirmou que os ataques de Javier Milei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante a convenção nacional do PL, representam um “risco” para a relação entre Brasil e Argentina. Ele classificou a visita do atual presidente argentino ao país como “um ato vergonhoso para todos os argentinos” e o chamou de “energúmeno”.

Fernández disse que Milei insultou Lula e pediu liberdade para Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. “Milei, com sua irresponsabilidade, não apenas colocou em risco as relações da Argentina com o Brasil, descumprindo o mandato constitucional que possui, como também demonstrou seu profundo desprezo pela democracia e pelo Estado de Direito”, afirmou.

O ex-presidente pediu que o governo brasileiro releve as declarações do argentino. “O vínculo entre nossos países deve ser indissolúvel e transcende as declarações de um presidente psiquicamente desequilibrado”, declarou Fernández.

No sábado, Milei discursou na convenção do PL, criticou Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e afirmou confiar em Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para “evitar o socialismo”. Moraes havia proibido o presidente argentino de visitar Jair Bolsonaro.

Fernández rebate comparação com visita a Lula em 2019

Durante o evento, Milei atacou Moraes por impedir sua visita a Bolsonaro e comparou a situação com encontros de Lula com líderes estrangeiros quando estava preso em Curitiba. O argentino também chamou Fernández de “nefasto” ao citar a visita que ele fez ao petista em julho de 2019.

Fernández respondeu que integrava um comitê internacional que defendia a liberdade de Lula e ressaltou que não participou de ato político após o encontro na sede da Polícia Federal. Na época, ele era candidato à Presidência argentina e venceria a eleição em outubro daquele ano.

“Jamais desrespeitei Jair Bolsonaro, que na época era o presidente do Brasil, embora tenha recebido dele todo tipo de ofensas pessoais”, disse o ex-presidente. Ele acrescentou que a relação bilateral precisa permanecer acima das disputas entre governos.

Fernández afirmou ter conversado com o ex-chanceler Celso Amorim para transmitir sua “preocupação e mal-estar” com o episódio. Ele também associou Milei a um “conglomerado político internacional liderado por Donald Trump” e disse que a “imensa maioria dos argentinos” sentiu vergonha da conduta do atual presidente.

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