
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), comunicou a dirigentes do PT que não pretende disputar nenhum cargo eletivo caso seja retirado da chapa em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) buscará a reeleição. A informação foi relatada por pessoas próximas ao vice ouvidas pela Folha de S.Paulo.
Segundo os relatos, a conversa não foi tratada como ameaça de rompimento político. Alckmin teria afirmado que continuaria apoiando Lula mesmo sem integrar a chapa presidencial ou disputar outro posto nas eleições.
Dentro do PT, há setores que defendem a candidatura de Alckmin ao governo ou ao Senado por São Paulo, em composição com Fernando Haddad e Simone Tebet. A estratégia buscaria fortalecer a campanha de Lula no maior colégio eleitoral do país. Tanto Alckmin quanto Haddad, no entanto, já sinalizaram que não pretendem concorrer.
Até o fim do ano passado, a reedição da chapa Lula-Alckmin era considerada praticamente certa. O presidente e o vice estreitaram relações desde a eleição de 2022, e o PSB tem atuado internamente para manter Alckmin na vice-presidência.
Nos últimos meses, porém, Lula passou a indicar, em conversas reservadas, que poderia rever a composição da chapa. Na quinta-feira (5), o presidente abordou o tema publicamente ao afirmar que Alckmin e Haddad “têm um papel para cumprir em São Paulo”, em entrevista ao UOL.
Uma eventual mudança na vice não teria apenas impacto regional. Lula poderia oferecer o posto a outro partido como forma de ampliar sua coligação nacional. O MDB é citado como uma das hipóteses, embora a legenda esteja dividida internamente e parte de seus diretórios estaduais mantenha distância do governo federal.
Aliados de Alckmin apontam que sua permanência na chapa contribui para a aproximação de Lula com setores do empresariado e do agronegócio. Além da Vice-Presidência, Alckmin ocupa o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o que ampliou seu contato com grandes exportadores.
Integrantes do PSB também avaliam que a retirada de Alckmin da chapa poderia gerar desgaste na aliança com o partido. Até o momento, Lula e Alckmin não teriam tratado diretamente sobre uma possível mudança. O presidente segue elogiando publicamente o vice, a quem classifica como aliado leal.
A lealdade de Alckmin é citada por dirigentes do PT e do PSB como um dos principais fatores para sua permanência como vice. O tema é sensível no partido, marcado pela experiência de Michel Temer, que assumiu a Presidência após o afastamento de Dilma Rousseff em 2016.