
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, rebateram nesta segunda-feira (26) as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a eleição brasileira. O republicano afirmou, sem apresentar provas, que a votação que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “pareceu mais uma eleição fraudada”. Alckmin classificou a acusação como “totalmente equivocada”, enquanto Amorim ironizou a suspeita.
“Primeiro não se interfere na política de outro país. Essa é uma regra basilar. Segundo, não tem nenhum referencial para dizer isso. Aliás, o Brasil é um exemplo para o mundo de urna eletrônica, de segurança jurídica. Democracia é assim. Você ganha eleição, você perde a eleição, é o povo que decide”, afirmou Alckmin à Rede Vanguarda, afiliada da TV Globo.
Alckmin reage a declaração de Trump: ‘Totalmente equivocada’ https://t.co/FMrDBo7cti https://t.co/rz6CwGZe4c
— g1 (@g1) October 26, 2026
Já Celso Amorim reagiu com uma referência às suspeitas de interferência da empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp na disputa eleitoral. “Só se ele está se referindo à Meta”, declarou. A campanha de Lula acusa a plataforma de restringir conteúdos ligados ao petista e favorecer perfis associados a Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno. As suspeitas foram levadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Trump também questionou a extensão da votação no domingo (25), que classificou como “muito estranha”, embora tenha declarado gostar de Lula e manter uma boa relação com ele. Segundo o TSE, a votação continuou após as 17h somente nos locais onde ainda não havia sido encerrada, por determinação do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). A totalização e a divulgação dos resultados foram retomadas depois das 19h.
Apesar das declarações do estadunidense, os dois integrantes do governo defenderam a continuidade das relações diplomáticas e comerciais. Alckmin afirmou que o Brasil seguirá negociando a redução das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Amorim, por sua vez, ressaltou que o país não depende da aprovação de Washington para validar o resultado das urnas. “Espero que as relações sigam normais. Mas, se não for assim, estaremos preparados”, declarou.