Alckmin rechaça armação de Doria e fala em disputar o governo de SP com Serra candidato ao senado. Por José Cássio

A dupla

Correligionários de Geraldo Alckmin entraram em contato com o DCM para rechaçar a informação ventilada por apoiadores de Doria de que o ex-governador havia aceitado concorrer ao senado em 2022, numa chapa com Rodrigo Garcia, vice de Doria, ao governo estadual.

Não negam o encontro entre Doria, Alckmin e Garcia no Palácio dos Bandeirantes, mas dizem que Geraldo quer voltar ao comando do Estado e está trabalhando para isso.

Alegam que o ex-governador tem apoio da militância e que Garcia não tem musculatura eleitoral para encarar uma disputa tão importante.

Rodrigo Garcia tem o apoio de Doria e de Gilberto Kassab, dono do PSD e principal interlocutor com lideranças do campo conservador no Estado.

O vice assinou a ficha de filiação ao PSDB, por orientação de Doria, no mês passado, e está aguardando para fazer a homologação num evento com o governador e lideranças da Assembleia Legislativa – o que, para os simpatizantes de Geraldo, significa que sequer pode se dizer tucano.

Bem ao seu estilo, “escondidinho” como gosta de dizer, Geraldo vem mantendo contatos com lideranças do interior em busca de apoios.

Alega que, não sendo ele o candidato, o PSDB terá muita dificuldade em manter o governo na mão do partido por causa do desgaste natural de tanto tempo – comanda SP desde 1994 – e especialmente pela divisão do campo da direita com a presença forte do bolsonarismo no Estado.

Os interlocutores do ex-governador usam outra justificativa, digamos, esdrúxula, para que Alckmin recuse a ideia de concorrer ao senado: com suspeita de alzheimer e encrencado na Justiça Federal sob acusação de lavagem de dinheiro transnacional, junto com a filha Verônica, José Serra não abre mão de tentar um segundo mandato.

O atual senador de 79 anos articulou a entrada do PSDB no governo golpista de Temer, assumiu o Ministério das Relações Exteriores e deixou o cargo após uma gestão apagada alegando dores na coluna.

Ao contrário de Fernando Henrique, que continua na ativa, Serra é já há alguns anos carta fora do baralho político nacional.

Nem sequer frequenta os encontros da bancada tucana no Congresso Nacional — os encontros são pela manhã e ele nunca acorda antes das 11h.

Em plenário, senta-se sozinho e faz discursos aos quais ninguém presta atenção.

É, em síntese, um morto-vivo e é com uma liderança nessas condições que Geraldo sonha voltar ao poder no Estado que governou por quase 20 anos.

Com tantas divergências, e lideranças carcomidas pelo tempo como Geraldo e Serra, para ficar em apenas dois exemplos, tirar o governo de São Paulo da mão dos tucanos em 2022 está quase tão simples como tomar pirulito da mão de criança.

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