
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pediu para que senadores votassem contra a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), segundo relatos feitos à Folha de S.Paulo. A movimentação ocorre nos bastidores, apesar de declarações públicas em que o senador afirma manter neutralidade no processo.
Alcolumbre argumentou que a rejeição do indicado representaria um fortalecimento do Legislativo e ampliará a influência do Senado nas futuras indicações ao Supremo. A avaliação é de que o episódio poderia redefinir a relação entre os Poderes.
Em nota, o presidente do Senado negou ter pedido votos contra Messias e afirmou: “É lamentável que, em um dia importante para as instituições, conversas de corredor ganhem destaque”. Ele também declarou que mantém atuação institucional e criticou a divulgação de informações baseadas em “ouvir dizer”.
Nos bastidores, integrantes do STF e parlamentares relataram que Alcolumbre demonstrou insatisfação com a escolha feita pelo presidente Lula, preferindo outro nome para a vaga. Após a indicação, o senador se afastou politicamente do governo.

Aliados do governo afirmam que buscaram o presidente do Senado para esclarecer os rumores e receberam a garantia de que o rito de votação seria mantido sem interferências. O líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou: “Todo mundo me diz que ele não está ajudando, o que é fato, mas também não está pesando a mão para atrapalhar”.
A indicação de Messias é relatada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) por Weverton Rocha (PDT-MA), aliado de Alcolumbre e próximo ao governo. Parlamentares da oposição têm discutido estratégias para tentar barrar a aprovação no plenário.
Estimativas internas apontam disputa acirrada. A oposição calcula cerca de 30 votos contrários, enquanto governistas afirmam ter ao menos 45 votos favoráveis. Para ser aprovado, o indicado precisa de 41 votos entre os 81 senadores.