Alcolumbre busca Lula para fazer as pazes após derrota de Messias no Senado

Atualizado em 7 de maio de 2026 às 23:01
Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em aperto de mãos, em pé, lado a lado
O presidente Lula (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) – Reprodução/Agência Brasil

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), quer conversar pessoalmente com o presidente Lula (PT) para tentar reconstruir a relação com o Planalto após a derrota do advogado-geral da União, Jorge Messias, em sua sabatina para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) no Senado. A interlocutores, o senador disse que pretende “passar a régua” no episódio e negar que tenha atuado contra a indicação de Messias ao STF. As informações são da Folha de S.Paulo.

A rejeição de Messias foi uma derrota histórica para o governo Lula. O Senado barrou o nome indicado ao Supremo por 42 votos contrários e 34 favoráveis, quando eram necessários ao menos 41 votos para a aprovação. Foi a primeira rejeição de uma indicação ao STF em 132 anos.

Nos bastidores, Alcolumbre afirma que a votação refletiu uma insatisfação do Senado e que o risco já havia sido comunicado ao Planalto. O recado enviado ao governo é que ele não pretende travar pautas do Executivo nem criar novas derrotas na Casa.

Lula também tem evitado um rompimento com o presidente do Senado. Após a votação, o Planalto iniciou movimentos de reaproximação: o ministro da Defesa, José Múcio, esteve com Alcolumbre na terça-feira (5), e o ministro José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais, reuniu-se com ele na quarta-feira (6).

Jorge Messias, da AGU, de cabeça baixa, com as mãos no rosto
Jorge Messias, da AGU – Reprodução

A crise abriu discussão dentro do governo sobre mudanças na articulação política no Senado. Aliados avaliam a situação de Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, e de Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A relação direta com Alcolumbre passou a ser vista como ponto central para destravar a agenda legislativa.

Entre as propostas que dependem do Senado estão as PECs do Suas e da Segurança Pública. Também chegou à Casa o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com fundo garantidor de R$ 2 bilhões e incentivos fiscais de até R$ 5 bilhões para o setor.

Outra prioridade do governo é o fim da escala 6×1. A comissão especial da Câmara trabalha com cronograma para votar o texto até 27 de maio, mas a proposta ainda precisará passar pelo Senado se avançar entre os deputados.

Mesmo com a tentativa de reaproximação, a relação entre Alcolumbre e o governo ainda é tratada como tensa. O caso Banco Master amplia o desgaste político. A Amprev, previdência do Amapá, aplicou R$ 400 milhões em ativos do banco, e Jocildo Silva Lemos, então diretor-presidente da instituição, foi alvo de investigação da PF; Alcolumbre não está entre os investigados nessa frente.

Jessica Alexandrino
Jessica Alexandrino é jornalista e trabalha no DCM desde 2022. Sempre gostou muito de escrever e decidiu que profissão queria seguir antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Tem passagens por outros portais de notícias e emissoras de TV, mas nas horas vagas gosta de viajar, assistir novelas e jogar tênis.