
A carne de guanaco — mamífero nativo da América do Sul, pertencente à mesma família da lhama, da alpaca e do camelo — começou a ganhar espaço no mercado argentino em meio à queda no consumo de carne bovina e à busca por alternativas mais acessíveis diante da debacle econômica do governo Milei.
Considerado um produto pouco comum, o item já é comercializado em algumas províncias e chama atenção tanto pelo preço quanto pelas características nutricionais.
O tema ganhou visibilidade após a repercussão da venda de carne de burro em Trelew, que se esgotou em poucos dias. Agora, o foco se volta ao guanaco, cuja carne passou a circular em mercados específicos, ampliando o debate sobre novas opções alimentares no país.
A regulamentação, no entanto, varia conforme a região. O governo de Chubut informou que não autoriza o abate nem a venda do produto dentro do território, destacando que a legislação proíbe a comercialização fora de circuitos regulamentados.
Além do preço, o interesse pelo produto também está ligado ao perfil nutricional. Especialistas apontam que a carne de guanaco é magra, com baixo teor de gordura e níveis reduzidos de colesterol, sendo considerada uma opção dentro do mercado de proteínas.
No varejo, dois quilos de carne moída de guanaco custam 12 mil pesos (cerca de R$ 72), enquanto a carne bovina tradicional pode chegar a 14 mil pesos por quilo (aproximadamente R$ 84). Cortes como lombo, quarto e paleta são vendidos embalados a vácuo, e há pacotes familiares de até 20 quilos por 6.500 pesos o quilo (cerca de R$ 39), sem osso.
Na província de Santa Cruz, o produtor Eric Mario Augustin desenvolve um projeto ligado ao manejo sustentável de guanacos. Conhecido como “El Maradona de los Guanacos”, ele atua na região de Gobernador Gregores, às margens da Ruta Nacional 40, onde recebe turistas interessados na atividade.
Além da carne, a lã de guanaco também tem valor elevado no mercado internacional. O quilo pode chegar a 250 dólares (cerca de R$ 1250), enquanto a melhor lã de ovelha gira em torno de 5 dólares (aproximadamente R$ 25). O produtor já exportou cerca de 6 mil quilos para a Itália e vendeu outros 100 quilos durante uma ação de divulgação na Bolívia.