Alguém precisa avisar Chiquinho Scarpa que o mundo em que ele vive não existe mais

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Quem é Chiquinho Scarpa? Para muitos, ele é o cara que anunciou, no Facebook, que iria enterrar um carro dentro do seu jardim, como “fazem os faraós”.

Mas ele é mais do que isso. Francisco Scarpa Filho ficou conhecido como um “playboy”, uma extravagância dos anos 70 e 80. Filho e neto de industriais italianos, sempre achou que viver na ostentação e gastar o dinheiro do suor da família poderia ser confundido com sabedoria de vida.

Chiquinho Scarpa nunca foi considerado elegante pela alta sociedade paulistana. A verdadeira elite não faz caras e bocas no programa do Amaury Junior ou em revistas de celebridades. Não anuncia publicamente que teve um caso com a princesa Caroline de Mônaco — e que lhe valeu uma interpelação judicial pelo príncipe Rainier III de Mônaco.  Não se apega a títulos falsos, tais como “comendador”, “conde”, “doutor”, como se isso pudesse avalizar suas peripécias e baixarias sociais. Ou, pior ainda, “Noble de Robe”, título comprado a peso de ouro com a desculpa de ser um reconhecimento pelas suas atividades filantrópicas.

Enfim, Um homem “elegante” não fala em rede nacional sobre a ex mulher falecida (Carolina Rorato de Oliveira, a Carola),  admitindo que o casamento foi  um erro devido a “diferenças sociais”. O simples fato de ostentar orgulhosamente o título de “playboy” mostra quem é Chiquinho Scarpa — um termo cafona desde o século passado, como também é a ostentação inescrupulosa, hoje completamente inadequada, que ele insiste em praticar como se fosse uma qualidade.

Eu o entrevistei há 30 anos. Foi em seu escritório na avenida Paulista, cheio de móveis de couro e bibelôs de vidro. Tudo de que me lembro do papo, além de seu perfume, era que ele falava palavrões enlouquecidamente. Já era uma figura anacrônica e um mitômano. Chiquinho Scarpa nunca saiu desse mundo de abundância deselegante, antiquada e mentirosa. Uma espécie de Liberace heterossexual dos Jardins.

Busca a todo custo aparecer na mídia, seja lá o que isso quer dizer, muitas vezes de smoking, sempre com o cabelo impecavelmente penteado, anunciando suas “atividades”. Como passar férias em Punta Del Leste ou fazer noitadas até as 5 da manhã, como se isso fosse motivo de orgulho e reconhecimento social. E ainda garantir que dorme apenas 3 horas por dia porque, afinal, é um “industrial, muito trabalhador”. Ao mesmo tempo, mora na mansão da família, no bairro dos Jardins, em São Paulo, e tem o curioso hábito de propagar suas conquistas amorosas, seus “trófeus”, nem sempre verdadeiras, como se isso fosse necessário para atestar sua masculinidade.

Tudo isso é Chiquinho Scarpa, e só isso. O oposto de seu pai, Francisco Scarpa, que morreu aos 103 anos de idade e que também nasceu rico. Mas foi um industrial atuante e empreendedor — gentil, discreto e educadíssimo.

O que se pode se esperar de uma figura tão inadequada e imprópria à sociedade atual? Que anuncie o sepultamento do seu carro de 1 milhão de dólares no jardim de sua casa e, com isso, ganhe mais alguns minutos de fugaz notoriedade — seja verdade ou não, tanto faz.

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