Aliada da “Rainha do Pó” recebeu R$ 1,1 milhão do PSDB e do PSD; entenda

Atualizado em 29 de junho de 2026 às 9:29
Karina Campos, a Rainha do Pó. Foto: reprodução

O PSDB Nacional e o PSD de Minas Gerais pagaram ao menos R$ 1,1 milhão à CNM Aviação, empresa de táxi aéreo pertencente a Juliana Costa Nobre Magalhães, denunciada pelo Ministério Público Federal por suposta ligação com a quadrilha de Karina Campos, apontada pela polícia como uma das maiores traficantes de cocaína do Brasil.

A sigla da empresa vem das iniciais do sobrenome de Juliana, irmã do traficante Leonardo Costa Nobre. Segundo denúncia apresentada pelo MPF em 2023, ela atuava como “gerente-executiva” da organização criminosa. De acordo com informações do Metrópoles, o caso tramita na Justiça Federal em Minas Gerais.

Os pagamentos constam em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Do total, R$ 551,7 mil foram desembolsados pelo PSDB Nacional em abril e maio de 2022, quando o partido era presidido por Bruno Araújo. Outros R$ 555,4 mil foram pagos pelo PSD de Minas Gerais entre maio e setembro de 2022, durante o período eleitoral, além de uma nota de R$ 22,2 mil em junho de 2023.

Juliana foi investigada na Operação Flight Level, da Polícia Federal, que apura uma suposta rede de envio de cocaína para a Europa. Investigadores apontam seu irmão, Leonardo Costa Nobre, como um dos líderes do grupo, que atuaria para Karina Campos, chamada pela polícia de “rainha do pó” e atualmente foragida.

A CNM Aviação foi aberta em 2021, pouco depois da deflagração da operação, e ocupa o mesmo hangar antes usado pela BHZ Táxi Aéreo, empresa de Leonardo. Em 2020, ainda na gestão da BHZ, o hangar foi apontado como origem de 175 kg de cocaína apreendidos no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa.

Karine Campos com um avião da CNM Aviação. Foto: reprodução

Procurado, o PSDB afirmou que a empresa “apresentou toda a documentação necessária”. Em nota, disse: “O PSDB contratou, em 2022, uma empresa de táxi aéreo com CNPJ ativo, regular e com autorização para operar, que apresentou toda a documentação exigida para a prestação do serviço, incluindo certificados, seguros e licenças dos órgãos competentes. Tudo ocorreu dentro dos procedimentos administrativos adotados em todas as contratações realizadas pelo partido”.

O partido acrescentou: “Os serviços prestados foram devidamente comprovados com a apresentação da documentação exigida pela Justiça Eleitoral. O PSDB não tem qualquer vínculo com essa e nem com qualquer outra empresa prestadora de serviço contratada”.

O PSD também afirmou desconhecer as investigações à época. “Nas eleições gerais de 2022, o partido, após análise rigorosa do CNPJ e demais dados, contratou a empresa para prestação de serviços de táxi aéreo, conforme previsto pela legislação. Não se verificou, à época, nenhuma irregularidade”, disse a legenda.

Na denúncia, o MPF afirma que Juliana teria usado documentos falsos para manter negócios do grupo. “Juliana constituiu e administrou, em nome de André e de Leonardo, a empresa CNM Aviação e Táxi Aéreo no mesmo endereço da empresa BHZ, permitindo a ambos que continuassem auferindo vantagens econômicas por meio de bens e ativos que constituem produto ou proveito econômico do tráfico internacional de drogas e da lavagem de dinheiro praticados pela organização criminosa”, diz o órgão.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.