Aliado de Flávio Bolsonaro faz gesto associado ao supremacismo branco na Band

Atualizado em 22 de outubro de 2026 às 22:03
Delegado Olim Flávio Bolsonaro
Delegado Olim (PP) faz gesto durante o debate da Band e posa com Flávio Bolsonaro (PL) em selfie. Foto: Reprodução/Band e Instagram

O deputado estadual Delegado Olim (PP), aliado do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), foi registrado fazendo um gesto associado ao supremacismo branco na plateia do debate da Band, realizado no domingo (18). O parlamentar estava sentado ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O episódio foi revelado em reportagem do Intercept Brasil.

Nas imagens reproduzidas pelo veículo, Olim une o indicador e o polegar, formando um círculo com a mão. O registro integra uma gravação da plateia do debate compartilhada pelo Estadão nas redes sociais. Na mesma fileira estavam outros apoiadores de Flávio Bolsonaro, como Pablo Marçal e Lucas Pavanato (PL).

Procurado pelo Intercept, Olim afirmou inicialmente que não se lembrava do momento. Depois, disse que poderia ter gesticulado por se sentir incomodado com uma pessoa que o filmava, que ele supôs estar na plateia do PT. “Eu acho que era alguém que estava me filmando o tempo inteiro lá, sem nenhuma noção”, declarou.

O deputado também recusou a oferta da reportagem de lhe mostrar o vídeo e encerrou a ligação. “Põe o que você quiser aí. […] Fica pra você o vídeo aí, um abraço”, afirmou. Segundo o Intercept, o registro foi enviado posteriormente ao parlamentar, mas ele não apresentou nova resposta até a publicação da reportagem, nesta quinta-feira (22).

Semelhante ao sinal de “OK”, o gesto foi apropriado por grupos supremacistas brancos após uma campanha de provocação na internet, iniciada em 2017. A Anti-Defamation League (ADL), que mantém um banco de símbolos de ódio, documenta esse uso, mas ressalta que o sinal também possui significados comuns e que sua execução, isoladamente, não comprova intenção racista. A avaliação depende do contexto.

No Brasil, um gesto semelhante motivou a condenação de Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro, por incitar preconceito de raça durante uma sessão do Senado em 2021. A sentença foi proferida em dezembro de 2024, com pena de dois anos e quatro meses substituída por medidas alternativas. Conforme a reportagem do Intercept, a defesa recorreu e o processo ainda está em tramitação.

Reeleito com 163,9 mil votos, Olim também teve seu histórico retomado pelo veículo. Em 2022, foi alvo de uma representação no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo após dizer que Isa Penna havia tido “sorte” ao sofrer importunação sexual praticada por Fernando Cury. O procedimento por quebra de decoro foi arquivado.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!