
O blogueiro Paulo Figueiredo, principal aliado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, pediu ao governo Trump que suspenda o tarifaço sobre importações brasileiras e concentre a pressão em sanções contra ministros do STF. A solicitação foi enviada ao Representante de Comércio dos Estados Unidos e ao Comitê da Seção 301, com pedido para participar da audiência pública de 6 de julho sobre as tarifas.
Figueiredo argumenta que a sobretaxa prejudica produtores brasileiros e consumidores americanos. Ele sustenta que a medida daria capital político aos responsáveis pela crise, na avaliação dele, e poderia aproximar o Brasil da China.
O aliado de Eduardo defende que Washington retome mecanismos de sanção individual, como a Lei Magnitsky. “Pelas razões expostas, o comentarista solicita respeitosamente que o Representante Comercial: (1) suspenda a ação proposta e a reavalie, considerando integralmente as eleições de outubro de 2026 no Brasil… e (2) utilize, em vez disso, os instrumentos direcionados descritos na Parte VII”, escreveu.
No documento, ele afirma que esses instrumentos poderiam “restaurar e expandir as designações da Global Magnitsky” para atingir casos que ele classifica como censura e corrupção. Ele diz que as sanções individuais mirariam “os indivíduos de fato responsáveis” e poupariam inocentes.

Figueiredo pede que as sanções não fiquem restritas ao ministro Alexandre de Moraes, à esposa dele, Viviane Barci, e a empresas ligadas ao casal. O jornalista também quer ampliar os alvos para ministros da Primeira Turma do Supremo, entre eles o decano Gilmar Mendes.
Ao citar Gilmar, Figueiredo o associa a Lula e Moraes como um dos responsáveis, em sua versão, por encerrar o esforço anticorrupção iniciado pela Lava Jato. “O membro mais antigo da Corte, o Ministro Gilmar Mendes, reivindicou publicamente as consequências políticas, afirmando que figuras de todo o espectro político ‘só estão aqui porque o Supremo Tribunal Federal enfrentou a Lava Jato’ — incluindo expressamente o Presidente da República”, escreveu.
O senador Flávio também enviou carta ao Representante de Comércio dos Estados Unidos para pedir participação na audiência sobre as tarifas. O parlamentar do PL usou argumento semelhante ao de Figueiredo e afirmou que a manutenção do tarifaço poderia favorecer Lula na corrida eleitoral.
O senador pediu que a aplicação das sobretaxas seja suspensa ao menos até as eleições nacionais. “As tarifas propostas entregariam ao atual governo brasileiro precisamente a vitória política que ele vem arquitetando, ao mesmo tempo em que prejudicariam a economia americana e os próprios brasileiros, que buscam uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos”, escreveu.
Em junho, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos propôs tarifa de 25% ao alegar práticas comerciais desleais, após concluir investigação contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O governo Lula não deve falar na audiência e avalia que a negociação deve seguir pelo canal direto com a gestão Trump, criado após reunião entre os dois presidentes em maio, na Casa Branca.