
Deputados estaduais ligados à base do ex-governador bolsonarista Cláudio Castro ameaçaram divulgar uma lista de amantes de desembargadores que recebem salários sem trabalhar na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro). A movimentação ocorreu após o governador interino do estado, o desembargador Ricardo Couto, cortar de cargos e criar auditorias na administração estadual.
Segundo o blog do Octavio Guedes no g1, a reação ocorreu depois da exoneração de quase 1,5 mil servidores considerados fantasmas pela atual gestão. Segundo o governo, parte dos funcionários desligados não possuía crachá nem acesso aos sistemas internos do estado.
Os cargos eram ligados a grupos políticos que davam sustentação ao governo anterior. Os parlamentares envolvidos são integrantes da base de apoio do presidente da Alerj, Douglas Ruas, pré-candidato ao governo do estado.

Desde que assumiu o comando do estado após a renúncia de Castro, Couto iniciou uma revisão de contratos e nomeações no Executivo estadual. O desembargador chegou ao cargo por ocupar a presidência do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) e estar na linha sucessória após a vacância do governo e da presidência da Alerj.
Em pouco mais de um mês de gestão, Couto assinou a exoneração de 1.477 servidores, segundo números oficiais. O governo afirma que as medidas fazem parte de um processo de redução de gastos públicos e reorganização administrativa em secretarias e órgãos estaduais.
Além das demissões, o governador interino trocou os comandos das secretarias de Saúde, Fazenda, Planejamento e Gestão e da Procuradoria-Geral do Estado. As mudanças ampliaram o desgaste político entre o Executivo estadual e setores ligados à antiga administração.
Couto permanecerá no cargo até que o Supremo Tribunal Federal (STF) defina como ocorrerá a eleição para o mandato-tampão no Rio de Janeiro. O futuro governador deverá administrar o estado até o fim deste ano.