Aliados do clã Bolsonaro querem usar decisão de Trump para desviar foco do caso Vorcaro

Atualizado em 28 de maio de 2026 às 22:48
Flávio Bolsonaro CPI do Master
O senador Flávio Bolsonaro, acompanhado de aliados no Congresso. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aposta que a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como grupos terroristas ajude a deixar em segundo plano a relação do senador com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A avaliação foi relatada por integrantes da campanha à coluna Painel, da Folha de S.Paulo.

Segundo aliados, as primeiras horas após o anúncio feito pelo governo Donald Trump mostraram um “descolamento” entre as menções a Flávio Bolsonaro e o caso Vorcaro nas buscas em redes sociais. A leitura interna é que a pauta de segurança pública e crime organizado pode oferecer ao senador uma agenda positiva depois de semanas de desgaste com o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

A crise envolvendo Flávio Bolsonaro começou após a revelação de áudios e mensagens sobre pedidos de recursos a Vorcaro para o filme. Desde então, o caso passou a pressionar a pré-candidatura do senador ao Planalto e abriu espaço para críticas dentro da própria direita, além de questionamentos sobre a relação do bolsonarista com o banqueiro investigado no caso Master.

A decisão dos Estados Unidos foi anunciada após viagem de Flávio Bolsonaro a Washington, onde ele se reuniu com Trump e aliados republicanos. O senador tem afirmado que tratou da classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas e passou a apresentar a medida como resultado de sua articulação internacional.

PCC Comando Vermelho
O secretário de estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Foto: Molly Riley/Casa Branca

No governo Lula, a resposta deve seguir outra linha. O Planalto foi pego de surpresa e terá de calibrar o discurso para não parecer que defende criminosos. A estratégia prevista é alertar para riscos à soberania nacional, já que a classificação pode ampliar o raio de ação dos Estados Unidos sobre temas de segurança pública no Brasil.

A disputa política, portanto, passa a ter dois eixos. Para Flávio Bolsonaro, a medida de Trump pode servir como tentativa de reposicionamento em meio ao caso Vorcaro. Para o governo Lula, o desafio é criticar a interferência estadunidense sem abrir flanco para a oposição explorar o tema como defesa de facções criminosas.

O movimento ocorre no momento em que a pré-campanha de Flávio Bolsonaro tenta conter a associação do senador ao Banco Master. A aposta bolsonarista é transformar a crise em torno de Vorcaro em uma disputa sobre segurança pública, soberania e alinhamento com Trump.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política e estagiária pelo Diário do Centro do Mundo. Adoro ciclismo, e busco estudar sobre mobilidade urbana e políticas públicas.