
Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) passaram a alegar fraude e “golpe” sem apresentar provas depois que o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação do horário de votação neste domingo (25). A decisão ocorreu após relatos de dificuldades de eleitores para chegar aos locais de voto por falta de transporte público, sobretudo em Salvador e São Paulo. Com informações de Folha de S.Paulo.
Rogério Marinho (PL-RN), senador e coordenador da campanha presidencial de Flávio, afirmou nas redes sociais que é “impressionante o nível de intervenção de alguns ministros do STF”. Ele disse esperar que “o bom senso prevaleça e qualquer golpe judiciário ou chicana administrativa não prospere pelo bem da democracia”.
Marinho também acusou Zanin de tentar “tumultuar o processo de uma eleição que eles já perderam no voto”. A campanha de Lula (PT) pediu a extensão do horário diante das falhas no transporte, enquanto a equipe de Flávio fez solicitação semelhante para cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, citando condições climáticas adversas.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou: “Ou a gente ganha. Ou a gente ganha. Tá avisado”. Em seguida, escreveu “mais um impeachment pra ano que vem” e comparou a extensão da votação ao pleito venezuelano de 2015. À imprensa, questionado sobre uma eventual contestação do resultado caso Flávio perdesse, respondeu: “Uai, você tem alguma dúvida?”
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que a prorrogação da votação beneficia o presidente Lula (PT), que aparecia atrás nas pesquisas de intenção de voto, e que, se Flávio Bolsonaro (PL) perder, o PL vai questionar o resultado. “Uai, você tem alguma dúvida? Quem estava na frente das pesquisas? Então quer dizer que o Datafolha errou agora?”, respondeu Nikolas ao ser perguntado se a campanha do PL questionará o resultado, caso perca.
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— Folha de S.Paulo (@folha) October 25, 2026
Parlamentares e influenciadores ampliam ataques à decisão de Zanin
O influenciador Pablo Marçal (PRTB), que auxilia Flávio na estruturação de um eventual Ministério da Prosperidade, disse estar indignado e afirmou que a decisão “tem cheiro de golpe”. O deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), eleito senador, chamou a medida de “golpe” e anunciou que pretende protocolar um pedido de impeachment contra Zanin.
Gustavo Gayer (PL-GO) afirmou que buscaria “assinaturas de todos que estão revoltados com esse golpe”. Em transmissão feita dos Estados Unidos, os ex-deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ), ao lado do influenciador Paulo Figueiredo, também levantaram suspeitas sobre o processo eleitoral.

Eduardo disse que a extensão do prazo poderia levar o lado derrotado a alegar que o adversário venceu por causa da medida. “Lamentável mudar a regra no meio do jogo, é país de república de banana, onde não tem império das leis”, declarou, antes de ser informado de que a campanha de seu irmão também havia pedido a prorrogação. Ramagem afirmou que voltou a temer “que haja uma fraude”.
O pastor Silas Malafaia, apoiador de Flávio, disse em vídeo que Lula teria perdido a eleição e “quer ganhar no tapetão”. Após a decisão, o PL orientou seus fiscais a retornarem imediatamente às seções eleitorais e acompanharem o encerramento da votação e a emissão dos boletins de urna, com registro de eventuais irregularidades pelos canais oficiais.