Alta do querosene de aviação deve ter “consequências severas”, alerta associação

Atualizado em 1 de abril de 2026 às 16:28
Aviões no aeroporto. Foto: Divulgação

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) fez um alerta nesta quarta-feira (1º) sobre os impactos do recente aumento de 54,6% no preço do querosene de aviação (QAV), combustível fundamental para o setor aéreo.

A alta, que se soma ao reajuste de 9,4% aplicado desde 1º de março, eleva o custo do combustível para 45% das despesas operacionais das companhias aéreas, um aumento considerável em relação aos 30% anteriores.

Em nota, a Abear destacou que o reajuste pode ter “consequências severas” para a aviação nacional. “A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo”, afirmou a associação.

Embora o aumento do preço do QAV seja uma preocupação para o setor, a Abear não fez referência direta ao impacto no preço das passagens para os consumidores. O reajuste do combustível ocorre devido à alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Oriente Médio.

Desde o início do conflito, o preço do barril de petróleo saltou de aproximadamente US$ 70 para mais de US$ 115, o que afetou diretamente os preços do querosene de aviação, uma vez que mais de 80% do QAV consumido no Brasil é produzido internamente, mas com preço atrelado ao mercado internacional.

A Petrobras, responsável pela venda do querosene de aviação, anunciou que o aumento no preço será gradual. A partir de abril, as distribuidoras pagarão 18% a mais pelo combustível, e a diferença até o aumento total de 54,6% será parcelada em seis vezes a partir de julho.

A estatal explicou que essa medida visa mitigar os efeitos negativos no setor aéreo e manter a demanda pelo produto. Em resposta à elevação do custo do combustível, o Grupo Abra, que controla a Gol Linhas Aéreas, também havia antecipado a alta de cerca de 55% no preço do querosene de aviação.

Aviões da Gol. Foto: Divulgação

Manuel Irarrazaval, diretor financeiro da Abra, comentou que o aumento será moderado em comparação com as oscilações internacionais. Ele ressaltou ainda que a política de reajustes mensais do combustível permite uma gestão mais equilibrada dos custos ao longo do tempo, mas pode levar ao aumento das passagens sempre que o preço do combustível subir.

A Azul Linhas Aéreas, por sua vez, já anunciou que aumentou o preço médio das passagens em mais de 20% nas últimas semanas. Além disso, a companhia planeja reduzir a oferta de voos domésticos em 1% no segundo trimestre de 2026, a fim de minimizar o impacto da alta do combustível em sua operação.

“A Abear tem defendido a implementação de mecanismos que permitam diminuir os impactos do aumento do QAV, garantindo o desenvolvimento do transporte aéreo, a conectividade nacional e a sustentabilidade econômica das operações”, conclui a nota.

Em nota, a Petrobras informou que adotou uma medida para minimizar os impactos do reajuste do querosene de aviação. A empresa anunciou que, em abril, as distribuidoras enfrentarão um aumento de 18%. A diferença até os aproximadamente 54% previstos em contrato será dividida em seis parcelas, com início em julho.

“Essa medida visa preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado”, informou a Petrobras.

A alta nos custos de operação das companhias aéreas não se restringe ao Brasil. A tensão no Oriente Médio tem provocado um aumento nos preços do petróleo globalmente, afetando as companhias aéreas de diversos países.

Confira a íntegra da nota da Abear:

“A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) alerta para os impactos do reajuste de 54,6% no preço do Querosene de Aviação (QAV). Somado ao aumento de 9,4% em vigor desde 1º de março, o combustível passa a responder por 45% dos custos operacionais das companhias aéreas. A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo.

Embora mais de 80% do QAV consumido no Brasil seja produzido internamente, sua precificação acompanha a paridade internacional, o que intensifica os efeitos das oscilações do preço do barril de petróleo sobre o mercado doméstico, ampliando os impactos de choques externos sobre os custos das companhias aéreas.

Nesse sentido, a Abear tem defendido a implementação de mecanismos que permitam diminuir os impactos do aumento do QAV, garantindo o desenvolvimento do transporte aéreo, a conectividade nacional e a sustentabilidade econômica das operações.”

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.