Alvo da PF, ex-sócio de Leo Dias foi a ponte entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro; entenda

Atualizado em 10 de julho de 2026 às 6:22
Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

Alvo de operação da Polícia Federal nesta quinta-feira (9), o publicitário Thiago Miranda é apontado como peça-chave na aproximação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master. Segundo a investigação, Miranda apresentou os dois no fim de 2024 e atuou na intermediação de pagamentos feitos por Vorcaro a um fundo nos Estados Unidos que seria usado para patrocinar o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.

A defesa do publicitário, ex-sócio de Leo Dias, nega irregularidades. Em nota enviada ao Estadão, afirmou que refuta “de forma categória, a prática de qualquer ilegalidade por seu constituinte” e sustentou que Miranda não praticou “qualquer ato criminoso”.

A PF investiga a suspeita de que o publicitário tenha participado da contratação de influenciadores para atacar o Banco Central e de ações para coagir jornalistas e adversários de Vorcaro. Os aparelhos apreendidos com Miranda também podem trazer novos elementos sobre a relação do empresário com Flávio Bolsonaro.

Diálogos do celular de Miranda, revelados pelo Intercept Brasil e confirmados pelo Estadão, indicaram que ele marcou encontros entre Flávio e Vorcaro e cobrou o banqueiro por pagamentos atrasados. As conversas já estavam em poder da PF a partir do celular apreendido de Vorcaro.

As mensagens também apontaram que Flávio acertou diretamente com Vorcaro pagamentos de R$ 134 milhões, sob a justificativa de patrocinar a cinebiografia de seu pai. Os valores foram destinados a um fundo sediado nos Estados Unidos e gerido por um advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A PF pediu a abertura de inquérito para apurar se parte do dinheiro foi desviada para financiar a permanência de Eduardo no exterior.

Thiago Miranda Vorcaro
O publicitário Thiago Miranda. Foto: Reprodução

Segundo pessoas próximas a Miranda, ele já mantinha boa relação com Flávio Bolsonaro havia anos. À PF, o publicitário disse ter conhecido Vorcaro mais recentemente, por meio de um empresário de Minas Gerais, durante negociações para a venda de participação no portal Léo Dias, quando ainda era sócio.

A investigação afirma que Miranda se tornou um aliado estratégico de Vorcaro. Ele teria sido acionado para ações em redes sociais, levantamento de informações contra desafetos e obtenção de dados sigilosos sobre jornalistas. Fundador da agência MiThi, o empresário virou alvo da 10ª fase da Operação Compliance Zero.

Na decisão que autorizou a ofensiva, o ministro André Mendonça, do STF, afirmou que Miranda estaria “diretamente envolvido no recrutamento de influenciadores e jornalistas” por meio de propostas financeiras bancadas com recursos ligados ao esquema fraudulento relacionado ao Banco Master. De acordo com a PF, as ofertas poderiam chegar a R$ 2 milhões e envolver contratos com cláusulas de confidencialidade.

A apuração também aponta que, em caso de recusa, informações privadas protegidas por sigilo legal poderiam ser usadas “para fins intimidatórios e ameaçadores”. O documento cita indícios de acesso indevido a dados privados e busca de informações familiares para coação.

Outro ponto investigado é a origem dos recursos usados por Miranda. Segundo a decisão, ele teria utilizado dinheiro recebido pela compra de parte do portal Léo Dias. Os valores, de acordo com a PF, eram repassados pela Super Empreendimentos e Participações, empresa de Vorcaro já citada por suspeita de crimes financeiros e lavagem de dinheiro.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.