O desabafo da babá enganada por falsa adolescente: “Dei carinho, afeto, comida”

Atualizado em 5 de junho de 2026 às 19:51
Amanda Maria, mulher de 37 anos presa em Santa Catarina
Amanda Maria, mulher de 37 anos investigada por estelionato e falsa identidade.. Foto: Reprodução.

Renata Magalhães, que acolheu Amanda Maria em 2023 acreditando que ela era uma adolescente vulnerável, disse que “sentiu as mãos gelarem” ao saber que a mulher, hoje com 37 anos, voltou a ser presa, desta vez em Joinville. Amanda é acusada de se passar por adolescente para enganar uma família e viveu por 14 meses na casa das vítimas usando o nome falso de “Gabriele”.

No Rio de Janeiro, Amanda se apresentava como “Duda” e passou cerca de um mês sob os cuidados de Renata e de Viviane Henriques, 45, diretora de um projeto social. As duas amigas costumam acolher crianças vítimas de abuso e com autismo, e dizem que acreditaram estar diante de uma adolescente em situação de vulnerabilidade.

Renata afirmou que se apegou à mulher durante o período em que acreditou cuidar de uma adolescente. “Eu dei carinho, afeto, comida. Não tinha como desconfiar”, disse. Segundo a polícia, Amanda também já teria aplicado golpes semelhantes em estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.

Viviane contou que o primeiro contato ocorreu pela página do projeto social “Mãos que abençoam com amor”. De acordo com ela, Amanda dizia ter fugido de abusos no Ceará, afirmava ter recebido hormônios para amadurecimento do corpo e relatava ter chegado a Magé, na Baixada Fluminense, após pegar caronas com caminhoneiros.

Amanda Maria em imagem de reportagem de televisão
Amanda Maria. Foto: Reprodução.

Relato das cuidadoras no Rio levou à investigação

As duas mulheres dizem que resgataram Amanda e, depois, alugaram e mobiliaram um pequeno apartamento em Nova Iguaçu para que ela morasse. Viviane afirmou que a aparência e o comportamento sustentavam a versão apresentada. “As pessoas acham absurdo acreditar. Mas, pessoalmente, ela aparentava ser adolescente, sempre com casaco e capuz. Ela alegava ter autismo e tinha uma fala muito infantilizada. Ficamos com o coração na mão.”

Renata e Viviane relataram que Amanda pedia mamadeira, chupeta e comidas de criança, mas não solicitava dinheiro. Elas também disseram que a levaram para um exame de raio-X, que teria identificado mais de 200 agulhas no corpo. “Saía até da boca, era assustador”, afirmou Renata, ao relatar que Amanda atribuía as agulhas a rituais praticados por um suposto pai “bruxo”.

A desconfiança cresceu quando Amanda passou a se comportar de forma diferente com cada uma. Renata disse que ela tinha “crises”, ameaçava se machucar e exigia sua presença constante. “Ela acabou com minha saúde mental, minha vida financeira. Ela me tirou de perto dos meus filhos, fazendo pressão psicológica”, afirmou. As duas procuraram a polícia, e a delegada Mônica Areal identificou a farsa no Rio.

Prisão em Santa Catarina e pedido de exame

A Polícia Civil de Santa Catarina informou que Amanda usava o nome “Gabriele” e justificava a aparência adulta dizendo que os traços vinham de uso forçado de hormônios na infância. O delegado Rodrigo Bueno Gusso afirmou que uma tia da família desconfiou da história, pesquisou casos parecidos na internet e encontrou a investigação do Rio. A Justiça manteve a prisão de Amanda, e a defesa pediu exame de sanidade mental. O advogado Rafael Luiz Siewert disse que ela “permanece à disposição da Justiça em razão da decisão que converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva e da necessidade de realização do exame pericial já determinado”.

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