
Viviane contou que o primeiro contato ocorreu pela página do projeto social “Mãos que abençoam com amor”. De acordo com ela, Amanda dizia ter fugido de abusos no Ceará, afirmava ter recebido hormônios para amadurecimento do corpo e relatava ter chegado a Magé, na Baixada Fluminense, após pegar caronas com caminhoneiros.

Relato das cuidadoras no Rio levou à investigação
As duas mulheres dizem que resgataram Amanda e, depois, alugaram e mobiliaram um pequeno apartamento em Nova Iguaçu para que ela morasse. Viviane afirmou que a aparência e o comportamento sustentavam a versão apresentada. “As pessoas acham absurdo acreditar. Mas, pessoalmente, ela aparentava ser adolescente, sempre com casaco e capuz. Ela alegava ter autismo e tinha uma fala muito infantilizada. Ficamos com o coração na mão.”
Renata e Viviane relataram que Amanda pedia mamadeira, chupeta e comidas de criança, mas não solicitava dinheiro. Elas também disseram que a levaram para um exame de raio-X, que teria identificado mais de 200 agulhas no corpo. “Saía até da boca, era assustador”, afirmou Renata, ao relatar que Amanda atribuía as agulhas a rituais praticados por um suposto pai “bruxo”.
A desconfiança cresceu quando Amanda passou a se comportar de forma diferente com cada uma. Renata disse que ela tinha “crises”, ameaçava se machucar e exigia sua presença constante. “Ela acabou com minha saúde mental, minha vida financeira. Ela me tirou de perto dos meus filhos, fazendo pressão psicológica”, afirmou. As duas procuraram a polícia, e a delegada Mônica Areal identificou a farsa no Rio.
Prisão em Santa Catarina e pedido de exame
A Polícia Civil de Santa Catarina informou que Amanda usava o nome “Gabriele” e justificava a aparência adulta dizendo que os traços vinham de uso forçado de hormônios na infância. O delegado Rodrigo Bueno Gusso afirmou que uma tia da família desconfiou da história, pesquisou casos parecidos na internet e encontrou a investigação do Rio. A Justiça manteve a prisão de Amanda, e a defesa pediu exame de sanidade mental. O advogado Rafael Luiz Siewert disse que ela “permanece à disposição da Justiça em razão da decisão que converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva e da necessidade de realização do exame pericial já determinado”.