Amazônia tem menor alerta de desmatamento no 1º semestre desde 2016, diz Inpe

Atualizado em 10 de julho de 2026 às 12:30
Trecho de floresta amazônica com vegetação densa
Trecho de floresta amazônica com vegetação densa. Foto: Reprodução

A Amazônia Legal registrou 1.295 quilômetros quadrados sob alerta de desmatamento entre janeiro e junho de 2026, o menor volume para um primeiro semestre desde o início da série do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 2016.

Os dados divulgados nesta sexta-feira (10) indicam queda de 38% em relação ao mesmo período de 2025. O Deter monitora alterações na cobertura vegetal por satélite e emite alertas para orientar operações de fiscalização ambiental.

No Cerrado, os alertas chegaram a 3.142 quilômetros quadrados nos seis primeiros meses do ano. O resultado representa redução de 6% na comparação anual e o menor patamar para o período desde 2021.

Em junho, a Amazônia teve 297 quilômetros quadrados sob alerta, queda de 35% frente ao mesmo mês de 2025. No Cerrado, o Inpe contabilizou 482 quilômetros quadrados, recuo de 5%.

Monitoramento aponta queda também no acumulado de 12 meses

A Amazônia e o Cerrado concentram cerca de 73% do território brasileiro, com aproximadamente 49% e 24%, respectivamente. Somadas, as áreas sob alerta de desmatamento nos dois biomas no primeiro semestre chegaram a 4.437 quilômetros quadrados, quase três vezes a área do município de São Paulo.

O Inpe também acompanha os alertas em um ciclo móvel de 12 meses, de agosto de um ano a julho do ano seguinte. Nessa metodologia, a Amazônia acumula 2.486 quilômetros quadrados desde agosto de 2025, queda de 37% ante os 3.960 quilômetros quadrados do ciclo anterior.

No Cerrado, o acumulado do ciclo chegou a 4.686 quilômetros quadrados, redução de 8% em relação ao período entre agosto de 2024 e junho de 2025. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima atribui os resultados a ações integradas entre governo federal, estados e municípios, com reforço na fiscalização e em políticas públicas ambientais.

Entre os estados da Amazônia Legal, Mato Grosso liderou os alertas em 2026, com 489 quilômetros quadrados, seguido por Pará, com 391 quilômetros quadrados, e Amazonas, com 184 quilômetros quadrados. No Cerrado, os maiores registros ocorreram no Maranhão, com 839 quilômetros quadrados, Tocantins, com 825 quilômetros quadrados, e Piauí, com 368 quilômetros quadrados.

A dinâmica do desmatamento varia entre os biomas: na Amazônia, os alertas se concentram principalmente em áreas públicas não destinadas e em áreas protegidas invadidas; no Cerrado, predominam em propriedades privadas. O Código Florestal permite percentuais maiores de supressão de vegetação no Cerrado, mediante autorizações de órgãos ambientais estaduais.

A previsão de atuação do El Niño no segundo semestre preocupa autoridades pelo risco de estiagem, avanço do desmatamento e aumento das queimadas florestais. O desmatamento respondeu por 42% das emissões nacionais de carbono em 2024, último ano com dados consolidados do Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa.

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