
Grupos de carnaval com menos de 20 mil foliões receberam incentivo para sair às ruas em São Paulo, ampliando a festa para bairros e praças da cidade, ao mesmo tempo em que pesquisas recentes acendem um alerta sobre o consumo de álcool, especialmente entre jovens.
Dados nacionais indicam aumento de episódios abusivos e de transtornos relacionados à bebida entre adolescentes, justamente o público mais presente nos blocos de rua.
Em 2026, parte dos coletivos independentes foi contemplada pelo edital “Brinde à Rua”, da Ambev, voltado a blocos e ligas de São Paulo e do Rio de Janeiro, conforme informações do G1. A iniciativa oferece repasse financeiro antecipado para cortejos com até 20 mil participantes, que costumam enfrentar dificuldades logísticas e de financiamento para desfilar.
Na capital paulista, centenas de grupos receberam apoio para planejar melhor suas atividades e garantir estrutura aos foliões.
Entre os participantes estão o Meu Santo é Pop, no Centro, que mistura referências da cultura pop; o Furduncinho, em Pinheiros, com foco em samba e pagode e público diverso; e o Bloco do Chocolatte, na Vila Maria, ligado ao samba de raiz e a ações solidárias. A proposta é descentralizar o carnaval e fortalecer manifestações locais fora dos megablocos.
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Pesquisa aponta aumento do consumo entre adolescentes
O incentivo ocorre em um cenário de preocupação com o álcool. Levantamento da UNIFESP, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, mostra que cresceu o consumo entre adolescentes e o número de brasileiros com transtorno por uso abusivo, embora tenha havido queda na população geral. O estudo ouviu 16.608 pessoas com 14 anos ou mais em 2023.
Segundo os dados, 5,7% dos adolescentes já enfrentam transtorno relacionado ao álcool. A média semanal entre quem bebe é de 5,3 doses, e um em cada nove jovens apresenta critérios para dependência. Mais da metade dos brasileiros experimentou bebidas antes da maioridade, e um quarto passou a beber regularmente antes dos 18 anos, apesar da proibição legal.
Consumo pesado e riscos associados
Entre adultos que consomem álcool, 60,3% relatam ingestão de seis doses ou mais em uma única ocasião, padrão associado à intoxicação aguda, acidentes e outros desfechos adversos. No total da população adulta, 34,7% praticam esse tipo de consumo. A cerveja aparece como a bebida mais ligada ao uso de risco e a transtornos.
A expansão de blocos menores reforça a ocupação cultural das ruas, mas também coincide com um cenário em que o consumo precoce e excessivo segue como desafio de saúde pública, sobretudo entre jovens que participam intensamente das festas.