
O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas, virou alvo da nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. O caso expõe um dos principais nomes do Centrão e aliado estratégico da família Bolsonaro nos últimos anos.
Piauiense, advogado, empresário e formado em Direito pela PUC-RJ, Ciro é filho do ex-deputado federal Ciro Nogueira Lima. Antes de chegar ao Senado, atuou por quatro mandatos como deputado federal. Em 2011, assumiu cadeira no Senado e foi reeleito em 2018. Desde 2013, comanda o Progressistas, partido central nas articulações do Congresso.
A trajetória de Ciro é marcada pela capacidade de transitar entre governos de diferentes campos políticos. Foi aliado da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), mas votou a favor de seu impeachment. À época, justificou a mudança dizendo que tentou preservar a estabilidade do governo, mas que isso se tornou “inútil” diante do avanço do processo na Câmara.
A aproximação com Jair Bolsonaro (PL) se consolidou em 2021, quando Ciro assumiu a Casa Civil. O cargo, responsável pela articulação política e administrativa do governo, foi tratado por Bolsonaro como o “ministério mais importante”. A nomeação marcou a entrada definitiva do Centrão no núcleo de poder do governo bolsonarista.

Como ministro-chefe da Casa Civil, Ciro atuou na interlocução entre o Planalto e o Congresso, ajudando a organizar a base parlamentar de Bolsonaro. O movimento deu ao senador projeção nacional e fortaleceu seu papel como operador político da direita, embora sua origem esteja mais ligada ao pragmatismo do Centrão do que ao bolsonarismo ideológico.
A relação com a família Bolsonaro, no entanto, passou a ter atritos. Ciro já declarou orgulho de ter participado do governo, mas também criticou Eduardo Bolsonaro em 2026, chamando-o de “confusão” e afirmando que ele atrapalha a direita. O comentário expôs a tensão entre setores do Centrão e o núcleo familiar do ex-presidente.
No Piauí, onde busca força para sua reeleição, Ciro chegou a sinalizar afastamento do PP em relação ao bolsonarismo, especialmente de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em busca de neutralidade ou apoio de Lula, campo mais forte no estado. O movimento gerou desconfiança no PT local e mostrou o cálculo político do senador para preservar espaço em seu estado.
Mesmo com tensões, Ciro segue ligado ao campo da direita. Ele já afirmou que seu nome preferido seria Bolsonaro, mas também passou a defender Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) como alternativa competitiva para 2026.

Operação Compliance Zero
A investigação aponta suspeitas de vantagens indevidas atribuídas ao senador em sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A decisão autorizada ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), cita pagamentos mensais, uso de bens de alto valor e a chamada “Emenda Master”, ligada ao Fundo Garantidor de Crédito.
Segundo a PF, a fase busca aprofundar a apuração sobre corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O senador é suspeito de receber pagamentos que começaram em R$ 300 mil e chegaram até a R$ 500 mil para beneficiar o banqueiro no Congresso. Os pagamentos eram feitos por Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, que foi preso preventivamente nesta quinta.
Ao todo, são cumpridos 10 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária no Piauí, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. As medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou bloqueio de bens, direitos e valores de R$ 18,85 milhões.