Amigo de Trump solicita ajuda ao ICE para deportar ex-mulher brasileira

Atualizado em 21 de março de 2026 às 13:20
Paolo Zampolli e Trump

O ex-agente de modelos Paolo Zampolli, conhecido por sua proximidade com Donald Trump, solicitou ajuda ao Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA (ICE) para deportar sua ex-mulher, Amanda Ungaro, de volta ao Brasil. A solicitação foi feita em junho de 2025, após a prisão de Ungaro em Miami, sob acusação de fraude. Zampolli, que havia sido apresentado a Trump por meio de sua ligação com a vida noturna de Nova York nos anos 1990, entrou em contato com David Venturella, alto funcionário do ICE, para discutir a possibilidade de deportação de sua ex-esposa.

De acordo com os registros obtidos, Zampolli mencionou que Ungaro estava irregular no país e pediu que ela fosse transferida para um centro de detenção do ICE. O pedido foi atendido, e, após a detenção, ela foi deportada para o Brasil, onde atualmente reside. Embora o Departamento de Segurança Interna tenha declarado que a deportação de Ungaro ocorreu por questões migratórias, a própria Amanda acredita que a influência de Zampolli tenha sido determinante para sua expulsão.

Ungaro e Zampolli mantiveram um relacionamento de longa data, iniciado no início dos anos 2000, após ela ser atraída para os Estados Unidos como modelo. Segundo a ex-modelo, Zampolli prometeu casamento e estabilidade migratória durante o relacionamento, algo que não se concretizou. A deportação ocorreu após um incidente no qual Ungaro foi acusada de fraude no local de trabalho.

Além de sua relação com Trump, Zampolli tem ligações com Jeffrey Epstein, o financista acusado de tráfico sexual e abuso de menores. Zampolli e Epstein discutiram em diversas ocasiões a compra de uma agência de modelos, e o nome de Zampolli aparece nos registros de Epstein, mas ele nega qualquer envolvimento com o tráfico de menores. Zampolli, ao ser questionado pelo “New York Times”, refutou a alegação de que tenha feito pedidos ao ICE para deter Ungaro ou buscar favores relacionados.

Amanda Ungaro foi levada a um dos centros de detenção federal do ICE em Miami e depois foi deportada para o Brasil

A deportação de Amanda Ungaro levanta questões sobre a utilização de influência e poder por figuras próximas à Casa Branca para resolver disputas pessoais. Embora Zampolli tenha negado ter solicitado o favorecimento, a movimentação dos processos de imigração foi rápida e direcionada, algo que Ungaro atribui ao peso de suas conexões com Trump.

Zampolli, que teve um papel importante na vida de Trump, também esteve em contato com outras figuras controversas, como Jeffrey Epstein. Em sua defesa, Zampolli declarou que, ao ser citado nos documentos de Epstein, seu nome foi incluído em um contexto que ele considera irrelevante para suas atividades profissionais. Zampolli tenta distanciar-se do escândalo envolvendo Epstein, mas sua relação com o empresário levanta questões sobre as práticas de influência em círculos de poder.

Ungaro, por sua vez, disse que nunca mais teve contato com Epstein após sua chegada a Nova York, e ela relatou que Zampolli começou um relacionamento com ela quando ela já tinha 19 anos. Sua deportação e as circunstâncias que a cercam continuam sendo um tema de investigação, com ela buscando esclarecer as motivações por trás das ações de Zampolli.

O caso de Amanda Ungaro expõe uma rede de influências que envolve figuras poderosas e questiona o uso de recursos públicos para resolver disputas privadas. A deportação de uma cidadã brasileira para o Brasil em meio a um contexto de poder político e econômico reflete a complexidade das relações internacionais e o impacto das conexões pessoais em decisões de imigração.