Ana Maria Braga prova mais uma vez que a Globo é uma Casa Grande. Por Nathalí Macedo

Não é só nos elencos de suas novelas que a Globo procura evitar negros.

Depois da novela quase sem negros na cidade mais negra do mundo fora da África (que tem sido criticada inclusive pela mídia internacional), foi a vez de Ana Maria Braga provar, ao vivo e em cores, que o Projac é uma Casa Grande dos novos tempos.

O programa – que é uma daquelas múmias globais que ficam no ar por décadas, tipo o Domingão do Faustão – apresentou ontem uma matéria sobre cabelos crespos (aproveitando que negritude dá audiência…), mas sem cabelos crespos.

Genial.

Em vez de contratar uma modelo de cabelos crespos para demonstrar e falar sobre os cuidados com esse tipo de cabelo (como normalmente faz a mídia em se tratando de brancos e dos cabelos dos brancos), a equipe do Mais Você achou que colocar uma peruca Black Power em Ana Maria e em Louro José fosse uma ideia melhor.
Qualquer coisa é uma ideia melhor para a Globo do que dar visibilidade aos pretos.

Imagina a reunião de roteiro:

– E a matéria sobre cabelo afro?
– Sei lá, compra umas perucas e entrevista uma negra qualquer no shopping…

Sem o menor constrangimento com a situação (como pode, a essa altura da vida?), ela disse que estava com um cabelo que não é dela porque acha “lindo, lindo”. Será que também acha lindo trabalhar em uma emissora que não emprega negros?

Ana Maria Braga tentou testar uma esponja própria para cabelos crespos na peruquinha mixuruca que recebeu da produção, não sem antes passar mais uma vergonha: “Dá pra lavar prato com ela?”

Constrangimento geral.

Como se o vexame já não fosse suficiente, ela procurou alguém com aquele “cabelinho” – foi assim que ela se referiu aos cabelos afro – pra testar a escova, e, pasmem: não havia negros no set de filmagem. Ela ainda insistiu em esfregar a escova no cabelo curto e fino do operador de câmera branco e nitidamente constrangido, coitado.

Na matéria gravada em um shopping, uma mulher negra foi entrevistada por menos de um minuto e fim.

A isso se resume a negritude para a Rede Globo: novela com brancos artificialmente bronzeados em vez de um elenco negro e fantasia exótica com peruca de nega maluca.

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