
Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira, afirmou em sua autobiografia que a eliminação do Chelsea para a Internazionale de José Mourinho na Liga dos Campeões de 2010 abalou sua relação com Roman Abramovich, empresário bilionário e então dono do time inglês, e pesou para sua saída do clube.
Trechos do livro “The Dream – Winning the Champions League” revelam bastidores da passagem do treinador italiano pelo Chelsea entre 2009 e 2011. Ancelotti relata que, já na primeira reunião com Abramovich, entendeu que o proprietário russo cobraria a conquista da Liga dos Campeões como prioridade.
“Agora, trabalhava para um oligarca russo que esperava que tudo corresse bem, sempre. E, se não corresse, ele queria saber o porquê. O meu trabalho era lhe dar as respostas”, escreveu o treinador.
Ancelotti citou uma derrota por 3 a 1 para o Wigan como o primeiro sinal da pressão que enfrentaria em Londres. “Foi aqui que surgiu a primeira sombra sobre o meu período no clube. Abramovich estava no centro de treinos, na manhã seguinte, exigindo respostas. O que é que tinha corrido mal? Eu nunca tinha passado por este nível de vigilância, com [Silvio] Berlusconi”, relatou.
A pressão de Abramovich e a comparação com Berlusconi
O técnico comparou o comportamento de Abramovich ao de Silvio Berlusconi, seu antigo chefe no Milan. Segundo Ancelotti, o italiano também interferia em contratações e táticas, mas não acompanhava o cotidiano do clube com o mesmo nível de cobrança.
“Ele era um proprietário exigente, e, por vezes, comprava jogador dos quais eu não precisava, e esperava que eu os encaixasse na equipe, ou discutia sobre as táticas, mas, durante um longo período, foi primeiro-ministro de Itália, por isso, não havia microgestão. Tinha coisas mais importantes nas quais pensar”, afirmou.
A relação com Abramovich piorou em março de 2010, quando a Internazionale, então comandada por Mourinho, eliminou o Chelsea nas oitavas de final da Liga dos Campeões. O português era antecessor de Ancelotti no clube inglês e terminou aquela temporada como campeão europeu pela equipe italiana.
“No dia seguinte, Abramovich falou, não apenas para mim, mas também para todo o elenco. O meu problema foi que o triunfo de Mourinho não foi ótimo para a minha relação com Abramovich. Era para eu ser o antídoto de Mourinho, calmo, ponderado e capaz de reanimar o elenco, após o drama”, disse Ancelotti.
Ancelotti deixou o Chelsea em 22 de maio de 2011, apesar de ter conquistado uma Premier League, uma Copa da Inglaterra e uma Supercopa. Depois, passou por Bayern de Munique, Napoli, Everton e Real Madrid; no clube espanhol, venceu três Ligas dos Campeões, três Supercopas Europeias, três Mundiais de Clubes, duas La Ligas, duas Copas do Rei e duas Supercopas da Espanha.