
A nova leva de arquivos do bilionário e pedófilo estadunidense Jeffrey Epstein, divulgada em 30 de janeiro pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, traz duas menções ao CEO do BTG Pactual, André Esteves.
Os documentos citam um possível encontro entre o banqueiro e o empresário britânico Ian Osborne, descrito como enviado de Epstein.
Em mensagem datada de 19 de abril de 2012, enviada ao financista nova-iorquino, Osborne escreveu: “Acabei de pousar em SP. Pegando o helicóptero para encontrar André Esteves. Vou te ligar quando terminar”. Os arquivos não detalham se o encontro de fato ocorreu nem apresentam outras informações sobre o eventual contato.
Procurado, Esteves negou qualquer relação com Epstein ou seu círculo. “Querida, nunca vi, nunca encontrei e nunca sequer falei ao telefone com essa turma. E, aliás, nem sabia da existência”, afirmou à colunista Andreza Matais, do Metrópoles.
Esteves é controlador do BTG Pactual, considerado o maior banco de investimentos da América Latina. Com atuação em infraestrutura, energia, telecomunicações, private equity e mercado imobiliário, ele figura entre os empresários mais influentes do país. Segundo a revista Forbes, seu patrimônio líquido alcançou R$ 51 bilhões em 2025. O banqueiro mantém interlocução com autoridades do Congresso, do Supremo Tribunal Federal e do governo Lula.
Os e-mails também mencionam encontros entre Ian Osborne e o empresário Eike Batista e as famílias controladores do Itaú e da Globo.
Osborne atuou como intermediário entre Epstein e diversos bilionários de tecnologia, políticos britânicos e outras figuras de poder. Oferecia-se para arranjar encontros entre Epstein e personalidades como Peter Thiel, Sean Parker (fundador do Napster), Reid Hoffman (fundador do LinkedIn) e Brian Chesky (CEO do Airbnb).
A correspondência entre Osborne e Epstein revela uma relação próxima e mutuamente benéfica que durou anos. Em junho de 2011, Osborne, então com 28 anos, foi apresentado a Epstein pelo jornalista Michael Wolff e propôs ajudar o criminoso a reconstruir sua reputação pública — apenas três anos após Epstein ter se declarado culpado de solicitar prostituição de uma criança.
Osborne trabalhou para DST Global, a firma de investimento em tecnologia de Milner, e tinha uma lista invejável de contatos do Vale do Silício. Ele oferecia-se repetidamente para arranjar financiamento de Epstein enquanto o criminoso buscava compreender melhor a indústria de tecnologia.
Os arquivos mostram que Osborne visitou a ilha particular de Epstein, Little Saint James — onde ocorreram seus crimes sexuais mais graves — em pelo menos uma ocasião em abril de 2012. Ele também fez arranjos para visitar o Zorro Ranch de Epstein no Novo México.