André Mendonça bate de frente com defesa de Vorcaro por impasse em delação

Atualizado em 6 de maio de 2026 às 23:16
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, com expressão séria
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal – Reprodução

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, teve discussões duras com a defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, durante as negociações para um possível acordo de delação premiada. Segundo a coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, o relator do caso demonstrou insatisfação com o material apresentado à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.

Os anexos da delação de Daniel Vorcaro foram entregues às autoridades nesta quarta-feira (6). O ministro, segundo a apuração, avalia que as informações ainda estão distantes do que já foi levantado pela PF nas investigações sobre o Banco Master.

Um dos pontos considerados sensíveis é a ausência de esclarecimentos sobre a relação de Daniel Vorcaro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O ex-banqueiro teria se reunido com o parlamentar na residência oficial do Senado, conforme diálogos com a ex-namorada Marta Graeff encontrados em um dos celulares apreendidos pela PF.

A investigação também mira aplicações feitas pela Amprev, gestora da previdência do Amapá. O órgão investiu R$ 400 milhões em títulos de alto risco do Banco Master. À época, a instituição era comandada por Jocildo Silva Lemos, alvo da PF em fevereiro e apontado como afilhado político de Davi Alcolumbre.

Caso André Mendonça rejeite a delação de Daniel Vorcaro, a defesa poderá recorrer à Segunda Turma do STF. Entre os pedidos possíveis está a tentativa de obter a libertação do ex-controlador do Banco Master.

Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master,, sentado, falando e gesticulando
Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, – Reprodução

Cada anexo da proposta deve tratar de um episódio específico de irregularidades atribuídas a Daniel Vorcaro e a outras pessoas. O material inclui relatos sobre supostos crimes cometidos pelo ex-banqueiro, condutas atribuídas a terceiros e provas que ele diz poder entregar se o acordo for aceito.

Após a apresentação dos anexos, que tramitam sob sigilo, defesa e investigadores passam a discutir pontos como redução de pena, regime de cumprimento, multa e eventual ressarcimento ao Estado. Até o momento, autoridades não veem cenário para concessão de perdão judicial.

Investigadores esperam que Daniel Vorcaro apresente detalhes inéditos sobre o suposto esquema. Pessoas próximas afirmaram inicialmente que ele não pretendia envolver ministros do STF, mas a defesa depois sustentou que o ex-banqueiro “não pouparia ninguém”, o que permitiu o avanço das conversas.

Os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli aparecem no centro de suspeitas por causa de menções e diálogos identificados no celular de Daniel Vorcaro. Ambos negam qualquer irregularidade.

Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, no aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior. A PF afirma que ele pretendia fugir do país, enquanto a defesa diz que a viagem tinha como objetivo encontrar investidores interessados na compra do Banco Master.

O ex-controlador do Banco Master foi solto dez dias depois e voltou a ser preso em 4 de março, em nova fase da Operação Compliance Zero, que também atingiu servidores do Banco Central. Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e também investigado no caso, trocou sua defesa e busca negociar um acordo de delação premiada.

Jessica Alexandrino
Jessica Alexandrino é jornalista e trabalha no DCM desde 2022. Sempre gostou muito de escrever e decidiu que profissão queria seguir antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Tem passagens por outros portais de notícias e emissoras de TV, mas nas horas vagas gosta de viajar, assistir novelas e jogar tênis.