
O assassinato de Andrés Escobar, zagueiro da Colômbia morto em Medellín dez dias depois de marcar um gol contra na Copa do Mundo de 1994, completa 32 anos em meio ao retorno do Mundial aos Estados Unidos em 2026. O caso permanece ligado a um período de forte influência do narcotráfico sobre o futebol colombiano.
Escobar construiu quase toda a carreira no Atlético Nacional, clube que cresceu nos anos 1980 sob a influência do chamado “narcofútbol” de Pablo Escobar. Apesar do sobrenome, o zagueiro não tinha parentesco nem ligação familiar com o chefe do cartel de Medellín.
Titular do Atlético Nacional na conquista da Libertadores de 1989, Andrés Escobar chegou aos Estados Unidos para disputar sua segunda Copa do Mundo. A Colômbia tinha no elenco nomes como Valderrama, Freddy Rincón e Asprilla, e caiu no Grupo A ao lado dos anfitriões Estados Unidos, da Romênia e da Suíça.
A seleção colombiana estreou com derrota por 3 a 1 para a Romênia, resultado que aumentou o peso do jogo seguinte, contra os Estados Unidos. Escobar tentou cortar um cruzamento, mandou a bola contra a própria meta e abriu o placar para os norte-americanos; Stewart ampliou, Valencia descontou e a derrota por 2 a 1 encaminhou a eliminação precoce da Colômbia.
A coluna no El Tiempo e o crime em Medellín
Dias depois da queda, Escobar assinou uma coluna no jornal “El Tiempo”, de Bogotá, em 29 de junho de 1994. No texto, lamentou a falta de “bravura” da seleção colombiana e tentou amenizar a frustração do país: “Devemos ser galantes na vitória, mas ainda mais na derrota. (…) Quero dizer que foi uma oportunidade e uma experiência fenomenal, única, que eu jamais havia sentido na vida. Até logo, porque a vida não acaba aqui.”
De volta a Medellín, o zagueiro entrou em uma discussão no estacionamento de um restaurante na madrugada de 2 de julho de 1994. Ele havia sido provocado por Santiago Gallón Henao e Pedro Gallón Henao, irmãos ligados ao narcotráfico colombiano.
Relatos da imprensa local apontaram que o primeiro disparo veio pelas costas, acompanhado da frase “obrigado pelo gol contra”. Humberto Muñoz Castro, motorista dos irmãos Gallón Henao, efetuou os tiros que mataram o jogador; o pai e os irmãos de Andrés Escobar, que tinham viajado para acompanhar a Copa, ainda estavam nos Estados Unidos no dia do crime.
A Justiça condenou Muñoz Castro a 43 anos de prisão em 1995, mas ele deixou a cadeia dez anos depois após redução da pena. Os irmãos Gallón Henao passaram 15 meses presos por cumplicidade e não foram levados a julgamento; Santiago Gallón Henao foi assassinado no México em fevereiro de 2026, e o presidente colombiano Gustavo Petro afirmou que a morte de Andrés Escobar “acabou com a imagem internacional” do país.