
Anotações feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante reunião da cúpula do PL revelam estratégias eleitorais e avaliações internas sobre palanques estaduais. O documento, intitulado “situação nos estados”, foi obtido pela Folha de S.Paulo e traz nomes de possíveis candidatos com observações manuscritas.
A reunião contou com dirigentes do partido, além do senador Rogério Marinho (PL-RN) e do presidente da legenda, Valdemar Costa Neto. Em São Paulo, aparece a anotação “ligar Tarcísio”, em referência ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tentará a reeleição.
O nome do vice Felício Ramuth (PSD) surge ligado a um cifrão. Também consta a pergunta “André do Prado vice?”, indicando disputa interna pela vaga.

Para o Senado em São Paulo, o rascunho lista Renato Bolsonaro, Mario Frias, Eduardo Bolsonaro, Coronel Mello Araújo e Marco Feliciano. Em Minas Gerais, há avaliação negativa sobre o vice-governador Mateus Simões (PSD), com a observação “me puxa para baixo” e a nota “Se for candidato”, seguida de “Cleitinho e Pacheco também são”.
Ainda em Minas, o PL cogita lançar Flávio Roscoe ao governo, com a anotação “conversa com Nikolas”. Para o Senado, aparecem Carlos Viana e Domingos Sávio com marcação de endosso. Em Alagoas, ao lado de JHC (PL), prefeito de Maceió, consta a observação sobre conversar até 15 de março; já ao lado de Alfredo Gaspar (União Brasil) está escrito “único que pedirá voto para mim”.

No Distrito Federal, a chapa prevista teria Celina Leão (PP) ao governo e Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) ao Senado. Porém, há a ressalva: “se Ibaneis for candidato ao Senado, não dá para oficializar com Celina”. Em Mato Grosso do Sul, aparece a anotação “Pollon (pediu 15 mi para não ser candidato)”.
O deputado Marcos Pollon negou a informação. “Eles sabem que eu não trabalho desse jeito. Quem trabalha com militância não precisa de dinheiro. Isso é uma campanha de assasinato de reputação porque sabem que não estou à venda e não me dobro a acordos”, afirmou. Flávio também negou o conteúdo da anotação: “Aquilo nunca aconteceu […] eu anotei para avisá-lo de que estavam falsamente divulgando isso”.

Na Bahia, o partido prioriza aliança com ACM Neto (União Brasil), com a observação “Conversar primeiro, depois tratamos de palanque completo”. O documento também aponta apoio a Ciro Gomes (PSDB) no Ceará e registra que Giacobo (PL-PR) “não pode ser candidato (Valdemar)”. No Rio Grande do Sul, consta um “ok” para a chapa com Zucco ao governo e Sanderson e Marcel Van Hattem ao Senado.
Em Santa Catarina, o nome de Esperidião Amin (PP) aparece riscado, após definição de que Carlos Bolsonaro (PL) e Caroline de Toni (PL) disputarão o Senado. O rascunho ainda traz observações como “primeiro lugar nas pesquisas” sobre Wellington Fagundes (PL) em Mato Grosso e “será candidata de qualquer jeito” sobre Janaina Riva (MDB).
Flávio confirmou ser o autor, mas alegou que os registros não expressam necessariamente sua opinião. “As anotações que tinham naquele pedaço de papel, não são o que eu penso. As pessoas com quem eu conversei falavam sobre suas impressões, suas opiniões, e eu anotava naquele papel para, num segundo momento, aproveitar ou não o que as pessoas estavam falando para mim”, declarou.