Anvisa proíbe venda e manda apreender canetas emagrecedoras de duas marcas

Atualizado em 15 de abril de 2026 às 13:40
Canetas emagrecedoras das marcas Gluconex e Tirzedral. Foto: Reprodução

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu a comercialização e determinou a apreensão das canetas emagrecedoras Gluconex e Tirzedral, após constatar que esses produtos não possuíam registro no Brasil. A medida foi publicada no Diário Oficial da União na terça (14) e impede a circulação desses itens, que estavam sendo vendidos pela internet.

De acordo com a Anvisa, as canetas foram anunciadas como medicamentos injetáveis à base de GLP-1, hormônio que auxilia no controle dos níveis de glicose e da saciedade. No entanto, os produtos não passaram por uma avaliação da agência, o que significa que não há comprovação de sua qualidade, segurança ou eficácia.

Além de proibir a comercialização desses produtos, a resolução da Anvisa também veda sua distribuição, importação e propaganda. A agência afirmou que os medicamentos são fabricados por uma empresa não identificada, o que impede a garantia de seu conteúdo e efeitos no organismo.

A recomendação da Anvisa é que consumidores não utilizem as canetas e, caso tenham acesso a elas, comuniquem imediatamente o caso à agência ou às vigilâncias sanitárias locais. A Anvisa também orienta que profissionais de saúde, que possam ter contato com os produtos, sigam a mesma diretriz.

Sede da Anvisa no Distrito Federal. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os medicamentos análogos ao GLP-1, como a semaglutida (Ozempic, Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro), são amplamente conhecidos e regulamentados. A demanda por tratamentos desse tipo tem aumentado no Brasil. Segundo dados do Sindusfarma, as vendas desses medicamentos cresceram 25,5% entre 2024 e 2025, com o total de unidades comercializadas subindo de 4,6 milhões para 5,8 milhões.

A procura por canetas emagrecedoras tem sido especialmente forte no início de 2026. Um levantamento do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) revelou que quase meio milhão de caixas dessas canetas foram vendidas no Brasil apenas em janeiro deste ano, mês que marcou a retomada da obrigatoriedade de envio de dados pelas farmácias.

De acordo com os dados do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), a maior parte das compras foi feita por mulheres, com uma média de idade de 47 anos. O medicamento Mounjaro, que é um análogo do GLP-1, representou 52,8% das vendas no primeiro mês de 2026, seguido pelo Wegovy, com 24,8% das vendas.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.