Ao contrário de Doria, Maia entendeu que o discurso dos dois extremos não cola mais. Por Luis F. Miguel

Publicado originalmente no Facebook:

Por Luis Felipe Miguel

Lula fez um discurso bem calibrado.

Acertou ao enfatizar a distância entre o que estamos vivendo e o que o Brasil poderia ser, ao afirmar a inclusão social como meta e ao priorizar a união contra o atual governo.

Bem ao seu estilo, abriu muito mais portas do que fechou. Teve a dose certa de pathos e também a dose certa de ironia. Confirmou que é um grande comunicador e um líder político de primeira magnitude.

João Doria, enquanto isso, recicla o discurso da “polarização” – segundo ele, entre “a extrema esquerda e a extrema direita”.

Ao construir a bizarra simetria entre Lula e Bolsonaro, que intelectualmente é desonesta e politicamente só serve ao fascismo, tentar se credenciar como “centro”.

Alckmin, que tinha muito mais credibilidade para assumir esse papel do que Doria, tentou esta estratégia em 2018 – e deu no que deu.

Ao insistir nela, o governador paulista mostra, uma vez mais, que está longe de dispor de competência à altura de suas ambições.

Bem mais inteligente foi Rodrigo Maia, com sua série de tuítes elogiosos a Lula.

Ele entendeu que o discurso dos dois extremos não cola mais e que, se o tal “centro” quiser existir, tem que marcar distância prioritariamente de Bolsonaro e seu governo genocida.

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