Ao contrário do que dizem os abutres, a cerimônia de abertura foi fantástica

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Foi lindo. Vou repetir: foi lindo.

Foi quase tudo certo, mas houve dois problemas. Um, o principal, é o olho atento dos abutres. Há pessoas que querem que dê errado, e isso nós já sabemos.

A Veja, descubro pelo Facebook, disse que a “imprensa internacional” detonou o espetáculo. Mesmo? BBC: “Copa começa com cerimônia colorida”; Guardian: “Torneio abre com música, paixão e J-Lo”; CNN: “exoesqueleto dá o primeiro chute na Copa do Mundo”.

Nem uma menção negativa nos melhores e mais relevantes sites do mundo. Mas não se poderia esperar outra coisa da Veja, claro.

Um outro olho de abutre se deu, como esperado, na Globo. E já quero deixar registrado que assistimos num local onde eu não tinha domínio sobre o canal que transmitiria.

Um estardalhaço diante de uma série de refletores que não acendeu. O que não disseram é que foram ligados com antecedência, antes de acabar a luz, justamente para prevenir um possível problema. Não houve absolutamente nenhuma interferência na partida.

A BBC, na cerimônia das Olimpíadas de Londres, não teria mostrado um defeito semelhante. Teria feito o oposto, em nome da festa.

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Mas sigamos.

O segundo problema foi o horário do espetáculo. A atmosfera é criada pela iluminação. Nina Dutra, que fez o design de luz do musical O Rei Leão, em São Paulo, usou exatamente essa frase hoje.

Quem já viu a diferença entre um desfile de carnaval durante a noite e depois, de manhã, sabe do que estou falando. Mesmo quem já assistiu a festivais de música em que a parte visual é muito menos importante do que num desfile ou num espetáculo desses, sabe.

A luz dá profundidade e foco. Você direciona os olhos, esconde cantos do palco sem uso.

Sem a luz, perdeu-se muito da emoção que o espetáculo poderia transmitir.

Eu, pessoalmente, achei uma aberração fazer a cerimônia de dia. Tinha que ser de noite de qualquer jeito.

Mas quanto ao espetáculo em si? Foi lindo. A parte mais fraca foi Pitbull, Jennifer Lopez e Claudia Leitte, basicamente porque a música é muito fraca. De resto, tudo lindo.

A maioria dos elementos mais relevantes da cultura brasileira estavam lá. O frevo, o samba, o axé.

A ciência e a tecnologia também estavam lá, representados no exoesqueleto que deu o chute inicial.

Mas isso a TV perdeu.

Bom, o problema da festa não foi a festa. Foram os infelizes que tentaram estragá-la – e que, ainda bem, não conseguiram.

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Emir Ruivo é músico e produtor formado em Projeto Para Indústria Fonográfica na Point Blank London. Produziu algumas dezenas de álbuns e algumas centenas de singles. Com sua banda, Aurélios, possui dois álbuns lançados pela gravadora Atração. Seu último trabalho pode ser visto no seguinte endereço: http://www.youtube.com/watch?v=dFjmeJKiaWQ