
O cão Orelha pode ter morrido em razão de uma osteomielite, uma infecção óssea grave e crônica, segundo o Ministério Público de Santa Catarina. A hipótese foi apontada após análise de laudos periciais, depoimentos e elementos técnicos reunidos pela 10ª Promotoria de Justiça da Capital.
De acordo com o MP, a morte do animal ocorreu após um procedimento de eutanásia, diante de um quadro clínico grave. O órgão afirmou que as provas analisadas não sustentam a hipótese de maus-tratos e indicam que Orelha “sucumbiu a um quadro clínico grave, e não a uma agressão”.
O laudo feito após a exumação do corpo não encontrou fraturas, cortes, rasgos ou lesões compatíveis com ação humana. Todos os ossos foram analisados, e os peritos não identificaram traumatismo que sustentasse a tese de agressão ou atropelamento.

A perícia apontou sinais de osteomielite na região maxilar esquerda do rosto do cachorro. O quadro pode estar relacionado a doenças periodontais avançadas, reforçadas pela presença de cálculo dentário nos dentes do animal.
Também foi identificada uma lesão profunda e antiga no crânio, com perda de pelos, descamação e inflamação compatíveis com infecção prolongada. A ferida ficava abaixo do olho esquerdo, na mesma região do inchaço observado pelo veterinário que atendeu Orelha.
O Ministério Público também citou a morte da cadela Pretinha, companheira de Orelha, por doença do carrapato, como indício do contexto de vulnerabilidade sanitária dos animais que viviam na Praia Brava, em Florianópolis. O órgão pediu o arquivamento do caso em documento de 170 páginas.