Ao vivo, Míriam Leitão acusa Mercadante de fazer “projeto autárquico” como na ditadura

Atualizado em 19 de março de 2026 às 7:58
Miriam Leitão e Aloizio Mercadante. Foto: reprodução

A jornalista Miriam Leitão atacou o economista Aloizio Mercadante durante uma entrevista ao vivo na GloboNews, na última quarta-feira (18), em que estava em pauta o papel do Estado na economia em meio à alta global do petróleo. A discussão ocorreu em um contexto de tensão internacional, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã e a reação iraniana com bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o fluxo de petróleo.

Durante o programa, Leitão exibiu seu alinhamento às políticas neoliberais e questionou a defesa de Mercadante por maior intervenção estatal no setor de combustíveis e em políticas industriais.

“Por que o Estado tem que fazer isso? Por que não pode ser elas mesmas? São empresas multinacionais essas aí que você citou”, perguntou a jornalista. O presidente do BNDES respondeu destacando a ausência de investimentos estruturais por parte do setor privado.

“Porque nunca fizeram, nunca trouxeram o P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) para cá, o P&D está lá nos países centrais. Porque se nós não tivermos, ela pode produzir e desenvolver essa tecnologia em qualquer país. Isso aqui é um projeto do Estado brasileiro, da nação brasileira, como foi o etanol. Por que nós chegamos no etanol, somos o segundo maior produtor, o maior consumidor? Porque teve Estado, porque teve BNDES”, afirmou Mercadante.

Ao longo da entrevista, a jornalista tentou conduzir o debate para uma crítica ao que chamou de projeto “autárquico”, associando a visão defendida pelo economista a práticas do período militar.

“Não, é porque o PT é sempre acusado de ter um projeto autárquico, muito parecido com o dos militares na economia. Essa é sempre a grande crítica ao PT”, disse Leitão. Mercadante rebateu, afirmando que a análise desconsidera os resultados históricos de modelos neoliberais.

“Espera um pouquinho, o que é que os neoliberais entregaram para o Brasil nesses 40 anos? O que é que eles entregaram para o Ocidente? Crise. A economia americana está em crise, a Europa está em crise, a América Latina está em crise”, questionou. Em seguida, defendeu uma estratégia baseada na cooperação entre Estado e mercado.

O presidente do BNDES também citou exemplos internacionais para sustentar sua posição. “A China é um exemplo de êxito, a Coreia, o Japão, a Ásia. Então, o que nós estamos olhando é que nós podemos ter uma relação criativa, Estado-mercado”, afirmou, mencionando ainda a existência de bancos públicos de desenvolvimento em diversos países.

Em meio às tentativas de interrupção por parte da jornalista, que afirmava ter “um programa para fazer e perguntas para fazer”, Mercadante insistiu na defesa de políticas públicas voltadas à industrialização e inovação. Para ele, instituições como o BNDES são essenciais para induzir crescimento, fomentar infraestrutura e atuar em momentos de crise econômica.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.