
Uma pesquisa do instituto Reuters/Ipsos, divulgada nesta segunda-feira (5), mostra que a ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela foi reprovada pela população americana. Segundo o levantamento, apenas um em cada três estadunidenses aprova o ataque que culminou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Ao mesmo tempo, 72% afirmam temer que a Casa Branca se envolva em excesso no país sul-americano, ampliando um conflito de consequências imprevisíveis.
O estudo, realizado ao longo de dois dias, entretanto, evidencia forte polarização partidária. Entre eleitores do Partido Republicano, legenda do presidente Donald Trump, 65% apoiam a operação militar.
Já entre os democratas, que fazem oposição ao governo, apenas 11% manifestaram apoio. Entre eleitores independentes, o índice é intermediário, de 23%, indicando que a ação não reúne consenso fora da base republicana.

As forças estadunidenses entraram em Caracas antes do amanhecer de sábado (3). A incursão resultou na captura de Maduro, que foi posteriormente entregue a autoridades federais dos Estados Unidos para responder a acusações relacionadas a suposto tráfico de drogas.
A operação marcou uma escalada inédita na crise venezuelana e foi acompanhada por declarações contundentes de Trump, que afirmou que os Estados Unidos passariam a “governar” a Venezuela, rompendo com sua retórica anterior de crítica ao intervencionismo externo de governos passados.
A pesquisa também aponta apoio significativo, entre republicanos, a uma política externa mais agressiva. Ao todo, 43% concordam com a afirmação de que os Estados Unidos devem exercer domínio sobre os assuntos do Hemisfério Ocidental. Outros 19% discordam, enquanto o restante não soube responder.
Os dados sugerem que parte expressiva da base governista vê a intervenção como legítima extensão do poder estadunidense na região.

No sábado, Trump afirmou que os Estados Unidos poderiam enviar tropas terrestres à Venezuela. No domingo (4), declarou que o país precisa de “acesso total” aos campos de petróleo venezuelanos e prometeu reformar o setor energético.
Apesar do discurso duro, a pesquisa indica que apenas 30% dos estadunidenses apoiam o envio de tropas. Entre republicanos, porém, 59% defendem que os EUA assumam o controle dos campos de petróleo do país.
Ainda não está claro como Trump pretende cumprir a promessa de administrar a Venezuela. No domingo, o presidente sugeriu que o controle poderia ocorrer por meio de pressão sobre líderes venezuelanos, sem ocupação direta. “Se eles não se comportarem, faremos um segundo ataque”, disse Trump, reforçando o tom de ameaça.
Mesmo entre republicanos, há preocupação com os desdobramentos. Cerca de 54% afirmaram temer que os EUA se envolvam demais na Venezuela. A mesma proporção demonstrou apreensão com os custos financeiros da operação, enquanto 64% disseram temer que o envolvimento coloque em risco a vida de militares estadunidenses.
A pesquisa ouviu 1.248 adultos em todo o país. O levantamento mostrou ainda que o índice de aprovação de Trump chegou a 42%, o melhor patamar desde outubro. Em dezembro, a aprovação era de 39%. A margem de erro é de aproximadamente três pontos percentuais.