
Brent Jindra, americano que votou três vezes em Donald Trump por apoiar sua agenda anti-imigração, passou a detonar a política migratória do presidente após agentes do ICE prenderem sua esposa, a russa Galina Bobreneva, em um aeroporto da Califórnia. Ela ficou detida por 16 dias e agora responde a um processo migratório com tornozeleira eletrônica.
Bobreneva e Jindra desembarcaram em Burbank em 13 de julho, após um voo de São Francisco, quando agentes à paisana a abordaram. Depois de cerca de 15 minutos de perguntas, um agente informou: “Parabéns, você foi selecionada para uma inspeção secundária”. Em seguida, os agentes a algemaram e a levaram em um veículo sem identificação.
A russa chegou aos Estados Unidos no fim de 2021 com visto de turista, prorrogado duas vezes depois da invasão da Ucrânia pela Rússia. Ela pediu asilo em 2022, conheceu Jindra em março de 2025 e se casou com ele em dezembro. Em abril, o americano apresentou o pedido de green card da esposa com base no casamento, aceito pelas autoridades migratórias.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos classificou Bobreneva como “estrangeira ilegal” e afirmou que ela ultrapassou o período autorizado de permanência. A agência declarou que uma autorização de trabalho ou um pedido migratório pendente não concedem status legal no país.

Detenção no deserto de Mojave e libertação sob fiança
Após a prisão no aeroporto, Bobreneva passou uma noite em uma cela no centro de Los Angeles e seguiu para o centro de detenção de Adelanto, no deserto de Mojave. Ela relatou que agentes a algemaram nos tornozelos, na cintura e nos pulsos para transportá-la até a unidade. “Eu me senti como um pedaço de carne, não como um ser humano. Você se torna um número”, disse.
Na ala feminina, Bobreneva descreveu luzes acesas de forma contínua, privação de sono, falta de água potável e chuveiros sem funcionamento. Segundo ela, havia sete chuveiros para 120 mulheres, mas apenas quatro funcionavam. O Departamento de Segurança Interna negou condições precárias e disse que os detidos recebem alimentação, água, atendimento médico e contato com familiares e advogados.
O advogado Patrick Valdez conseguiu uma audiência para 28 de julho, e Bobreneva deixou a detenção no dia seguinte após pagar fiança de US$ 35 mil, cerca de R$ 182 mil. O ICE determinou que ela usasse uma tornozeleira e comparecesse a uma apresentação obrigatória em San Francisco, realizada em 5 de agosto.
Jindra afirmou que a campanha migratória deveria mirar pessoas que entraram ilegalmente no país, e não imigrantes com processos ativos. “Ela não pulou um muro, não atravessou um rio a nado. Ela entrou pela bela e grande porta da frente de Trump”, disse. A primeira audiência judicial de Bobreneva está marcada para 22 de outubro, e o processo pode levar meses.