“Apoio envergonhado”: a pressão de bolsonaristas sobre Tarcísio para se posicionar a favor de Flávio

Atualizado em 13 de janeiro de 2026 às 8:29
Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Foto: reprodução

A movimentação da direita em torno da eleição presidencial de 2026 abriu uma crise silenciosa entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Parte do grupo pressiona o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por um apoio claro e imediato à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Até agora, no entanto, Tarcísio mantém apenas manifestações pontuais, sempre provocadas por perguntas de jornalistas, sem se engajar em eventos, redes sociais ou na articulação ativa da campanha.

A demora, segundo a Folha de S.Paulo, irritou integrantes do PL, que já apelidam o governador de “Tarcísio Garcia”, numa referência ao ex-governador Rodrigo Garcia (PSDB), criticado por se manter neutro entre Lula (PT) e Bolsonaro em 2022. A avaliação dessa ala é que, sem um gesto público forte, Tarcísio corre o risco de ser tratado como traidor. Há quem defenda até mesmo retaliações, caso ele permaneça distante da pré-campanha.

Aliados próximos do governador contestam a pressão e afirmam que a inquietação dos apoiadores de Flávio é precipitada. Eles alegam que “ainda não é hora de campanha” e que Tarcísio está concentrado na gestão paulista, enquanto cabe ao senador costurar alianças.

Fabio Wajngarten reforçou essa leitura dizendo que “há que se respeitar o tempo de cada pessoa” e que a relação entre Tarcísio e Bolsonaro é de “total lealdade, respeito e amizade”.

O bolsonarista Fábio Wajngarten. Foto: reprodução

Nos bastidores, líderes partidários admitem que Tarcísio tende a entrar de vez na campanha caso Flávio mantenha a pré-candidatura.

Ciro Nogueira afirma que o governador já garantiu que apoiará o senador e que não deseja repetir o desgaste de figuras da direita acusadas de infidelidade, como João Doria. Mesmo assim, integrantes do PL avaliam que o comportamento discreto de Tarcísio tem origem na forma como a pré-candidatura foi anunciada.

Flávio revelou nas redes sociais que havia sido escolhido pelo pai após a notícia vazar, sem um evento conjunto com o PL e aliados, o que desagradou setores da direita e deixou o governador à margem da decisão. Tarcísio, que esperava uma definição interna construída de forma mais ampla, levou três dias para se pronunciar e, quando o fez, limitou-se a dizer que Flávio se juntava a “outros grandes nomes da oposição”.

A insatisfação cresceu porque Tarcísio vinha sendo tratado como favorito do mercado financeiro e do centrão para um eventual projeto presidencial. Seus discursos de tom nacional e as críticas ao governo federal alimentaram especulações em torno de sua candidatura. O anúncio inesperado de Flávio, sem consulta prévia, teria frustrado o governador e contribuído para sua postura mais reservada.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.