Após a Coreia do Norte lançar novo míssil em direção ao Japão, a China enquadra os EUA. Por Carlos Fernandes

A entrada do Palácio Imperial em Pequim

 

O tempo fechou de vez na Ásia.

Em resposta à nova rodada de sansões econômicas impostas à Coreia do Norte pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, o regime de Pyongyang elevou o tom e efetuou mais um teste balístico em direção ao Japão.

Se declarando “furioso” com as novas medidas restritivas, o governo de Kim Jong-un ameaçou mais uma vez atacar os Estados Unidos e simplesmente “afundar” todo o arquipélago japonês.

Não faltou ameaças também para o governo da Coreia do Sul que, na visão do líder norte-coreano, vendeu-se aos “imperialistas” e se posiciona contra os próprios “compatriotas”.

Cobrado pelo Secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, a utilizar a “poderosa ferramenta” do petróleo para dissuadir a Coreia do Norte a rever o seu “atual caminho”, a China respondeu à altura do que se espera de uma potência que não se curva aos caprichos de ocasião dos USA.

Segundo a recente edição do jornal chinês China Daily (versão impressa em inglês), a porta-voz do Ministro das Relações Exteriores da China, Hua Chunying, afirmou que Beijing “não detêm a chave para o problema na península coreana”.

Numa dura declaração, apesar de condenar a atitude do governo norte-coreano, Chunying lembrou que a atual situação é “complicada, sensível e severa”, que o seu país “não é o condutor por trás da escalada das tensões” e que o “núcleo do problema encontra-se entre Pyongyang e Washington”.

A China está profundamente incomodada com a pressão que os Estados Unidos está fazendo para que ela resolva um problema que simplesmente não começou.

Sobre as insinuações de que o país não estaria utilizando todos os meios necessários para solucionar a situação, Hua acrescentou: “nossa sinceridade e esforços não devem ser postos em dúvida”.

Desde que o conflito dos Estados Unidos com a Coreia do Norte entrou novamente na pauta da política internacional, esse foi de longe o mais ríspido pronunciamento do governo chinês sobre o caso.

Existe em Beijing o sentimento de que a velha tradição norte-americana de arregimentar outros países para fazer o seu trabalho sujo esteja mais uma vez em curso com a própria China.

O centro financeiro de Xangai

Não por acaso, ainda em seu pronunciamento, Chunying não mediu as palavras e foi direta. Disse ela: “É irresponsável e inútil para a solução do conflito culpar injustamente os outros e se eximir das responsabilidades de alguma forma”.

Nada poderia esclarecer mais o “Modus Operandi” histórico dos Estados Unidos do que essa frase. É exatamente dessa forma que a Casa Branca vem desmantelando governos e nações no decorrer das últimas décadas.

O grande problema nesse caso é que o “arregimentado” da vez não se trata de uma republiqueta de bananas tão comum na América Latina.

A China caminha a passos largos para ultrapassar os Estados Unidos e se tornar a maior potência econômica do mundo. Não será agora que os chineses irão baixar a cabeça em obediência canina aos autoproclamados “delegados do universo”.

Pode não parecer, mais a crise na península coreana envolve muito mais interesses do que a já empoeirada ladainha norte-americana de defesa da democracia.

Aliás, foi exatamente sobre esse discurso que justamente tantas democracias foram arruinadas.

A grande questão é que dessa vez, pelo que foi exposto na coletiva de imprensa de Hua Chunying, o ônus da solução do problema caberá a quem o criou. Nas suas próprias palavras: “Os iniciadores do conflito devem terminá-lo”.

Em bom português: quem os pariu, que os balance.

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