Após ameaças de Trump, Exército do Canadá simula invasão dos EUA

Atualizado em 20 de janeiro de 2026 às 23:13
Soldados do exército em tanque de guerra. Foto: Reprodução

O Exército do Canadá elaborou um cenário teórico que considera a hipótese de uma invasão militar do país pelos Estados Unidos, segundo informações divulgadas pelo jornal Globe and Mail nesta terça-feira (20). Trata-se da primeira vez, em mais de um século, que as Forças Armadas canadenses incluem esse tipo de possibilidade em exercícios de reflexão estratégica, de acordo com autoridades governamentais ouvidas pela publicação.

Segundo os responsáveis citados, o exercício não configura um plano operacional nem indica expectativa concreta de conflito. O material foi desenvolvido como modelo analítico para avaliar riscos extremos e possíveis respostas, em um contexto de mudanças no ambiente geopolítico internacional. As fontes ressaltaram que consideram altamente improvável que um governo norte-americano leve adiante uma ofensiva desse tipo.

Desde o início de seu segundo mandato presidencial, em janeiro de 2025, Donald Trump tem reiterado declarações públicas sobre o desejo de que o Canadá se torne o 51º estado dos Estados Unidos. Mais recentemente, o presidente publicou imagens geradas por inteligência artificial que retratam territórios como Canadá, Groenlândia e Venezuela sob a bandeira norte-americana, o que gerou reações entre aliados de Washington.

De acordo com os cenários avaliados pelos militares canadenses, uma ofensiva partindo do sul poderia neutralizar posições estratégicas do país em poucos dias. Diante dessa hipótese, a resposta do Canadá poderia envolver uma estratégia de resistência prolongada, com ações assimétricas, incluindo emboscadas e táticas de guerrilha, conforme descrito no estudo citado pelo jornal.

Procurado pela agência AFP, o Ministério da Defesa Nacional do Canadá não comentou o conteúdo das análises. O país é membro fundador da OTAN e mantém cooperação militar estreita com os Estados Unidos, inclusive por meio do NORAD, responsável pela defesa aeroespacial da América do Norte.

O debate ocorre em meio a tensões recentes envolvendo interesses estratégicos dos Estados Unidos na região do Ártico, especialmente na Groenlândia, tema que tem preocupado governos aliados. Autoridades canadenses destacam que o exercício faz parte de práticas regulares de planejamento estratégico, que incluem a análise de cenários considerados improváveis, mas com alto impacto potencial.